A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 23/09/2021

Sabe-se que a leitura é um instrumento de suma importância na construção do saber humano. Nesse sentido, a literacia é um caminho valioso quando estimulada pela família. No entanto, é sabido que a maioria das famílias brasileiras não teve acesso à educação de qualidade, tornando, assim, a literacia familiar entre os mais pobres uma utopia. Além disso, é preciso considerar a diversidade intelectual das crianças, tendo em vista os portadores de TDAH e autismo. Sendo assim, urge que o Estado discuta como a literacia familiar pode ser acessível a todas as famílias.

Em primeira análise, é acertado refletir acerca dos desafios que as famílias mais pobres enfrentam para pôr em prática a literacia familiar. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o Brasil tem 11 milhões de analfabetos com mais de 15 anos de idade, isso desconsiderando os semianalfabetos e os analfabetos funcionais. Sob esse prisma, é utópico desejar que as famílas que não tiveram acesso à educação consigam estimular a leitura para os seus filhos desde a mais tenra iinfância. Destarte, é imprescindível que o Estado amplie o programa Conta Pra Mim a fim de abranger as crianças sob cuidados de pessoas que não tiveram oportunidades de estudos.

Outrossim, crianças portadoras de autismo e do Transtorno do Défict de Atenção com Hiperatividade (TDAH) também enfrentam uma barreira social no acesso à literacia familiar, pois, muitas vezes, os pais não sabem como agir de forma adequada com infantes nessa condição. “Todos nós temos talentos diferentes, mas todos nós gostaríamos de ter oportunidades iguais para desenvolver nossos talentos”. A frase do Ex-presidente americano John Kennedy pode ilustrar bem as condições desiguais encontradas pelas famílias com filhos portadores de algum transtorno na adaptação à literacia domiciliar. Desse modo, é fulcral que as escolas reúnam-se com os pais desses infantes a fim de auxiliá-los no processo da literacia.

Diante do exposto, fica claro, portanto, que o Ministério da Educação, por meio da ampliação do programa Conta Pra Mim, deve auxiliar os pais que, por não terem tido acesso à educação, não têm condições de estimular a literacia familiar para os seus filhos. Isso é possível com a oferta de aulas de leitura para os adultos, com vistas a fazê-los ter acesso à educação e ter condições de instruir os filhos, além de pôr filhos e pais na mesma sala de aula, com o fito de fazê-los aprender juntos, estimulando, com uma abordagem distinta, a leitura familiar. Ademais, as escolas devem orientar os pais de crianças especiais, por meio de palestras e capacitações, na forma como eles podem, de forma adaptada a cada realidade, contribuir na inserção da leitura na vida de seus filhos. Com essa medida, que não exclui outras, a literacia familiar terá seu acesso ampliado no Brasil.