A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 12/10/2021

Na obra “O Espírito das Leis”, Montesquieu enfatizou que é preciso analisar as relações sociais de um povo para, assim, aplicar as diretrizes legais e abonar o progresso coletivo. Entretanto, ao observar a desvalorização da leitura familiar, certifica-se que a teoria do filósofo diverge da realidade, uma vez que o papel da prática no desenvolvimento dos indivíduos, que apesar de importante, é negligenciado, fato que impede a ascensão do Estado. Com efeito, é imprescindível enunciar os aspectos socioculturais e a insuficiência legislativa como pilares da problemática.

Primeiramente, vale destacar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa - ou seja, o diálogo - constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Sob essa óptica, a falta de estímulo ao debate a respeito dos impactos da literacia em ambiente familiar, todavia, coíbe poder transformador da deliberação e, consequentemente, resulta em uma população que não estimula a leitura de seus filhos, por agir embasada no senso comum e não compreender a necessidade de incentivar o uso de livros. Destarte, discorrer criticamente o problema é o primeiro passo para a consolidação do progresso social habermeseano.

Ademais, merece atenção o quesito constitucional. Segundo Jean-Jacques Rousseau, os cidadãos cedem parte da liberdade adquirida na circunstância natural para que o Estado garanta direitos intransigentes. A falta de medidas públicas que conscientizem os pais acerca da literacia no crescimento, entretanto, contrasta a concepção do pensador na medida em que, apesar do direito ao desenvolvimento ser citado na constitução, tal cenário fere essa garantia, uma vez que, seja por falta de interesse dos órgãos públicos, seja pela dificuldade em articular recursos em um território de dimensões continentais, nada é feito para que os indivíduos em formação tenham o acesso aos meios de leitura em seus domicílios encorajado. Dessa forma, ações devem ser tomadas pelo governo para dirimir o revés.

Entende-se, portanto, a temática como sendo um problema intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos, irá discutir o assunto com especialistas em pedagogia, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse, além de mostrar os benefícios que a prática de ler pode ter na sociedade, não só ao sustentar as bases constitucionais, mas também ao trazer progresso individual. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações, ao incluir o mesmo nas Diretrizes Orçamentárias. Desse modo, com a deliberação de Habermas e a justiça de Rousseau, o progresso social será efetivo.