A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 10/11/2021

A obra literária “A menina que roubava livros” tem como protagonista a personagem Liesel, uma menina que cultiva a adoração por livros e encontra na literatura uma forma de refúgio mental para situação vivida durante a guerra. Fora da ficção, entretanto, no Brasil hodierno, a prática da leitura não se faz presente na realidade, configurando-se, assim, um quadro preocupante para o país. Isso se evidencia não só pela falta de assistência familiar, como também pela negligência governamental.

Nessa perspectiva, destaca-se ausência parental como propulsora do evento. Acerca disso, para Jean Piaget, psicólogo suíço, o núcleo parental, assim como a escola, tem papel fundamental quanto ao desenvolvimento intelectual dos menores, de modo que a ele também cabe o dever de estimular o aprendizado. No século XXI, no entanto, esse cenário não é perceptível na realidade, uma vez que a parentela ainda delega a educação dos filhos à escola em razão da escassez de tempo para ensiná-los sobre a importância da leitura na infância. Dessa maneira, os pais são, muitas vezes, de origem humilde, as quais precisam trabalhar para prover a renda de sustentação familiar, de modo que se ocupam diariamente com as atividades laborais, deixando de acompanhar seus filhos, dificultando, dessa forma, o processo de aprendizagem da criança.

Além disso, nota-se a carência de investimento como impulsionadora do impasse. A esse respeito, o filósofo estadunidense John Rawls pontua que o governo íntegro busca disponibilizar recursos financeiros a todos os setores, visando promover uma igualdade de oportunidades a todos. Tal cenário, no entanto, não é observado na realidade, já que o descaso governamental, no que diz respeito à aplicação de capital, para o desenvolvimento de políticas públicas, inviabiliza, infelizmente, a promoção de uma educação de qualidade. Por conseguinte, o governo faz com que haja falta de assistência governamental, sobretudo na área educacional, impedindo a fomentação de projetos que incentivem a leitura na infância.

Urge, portanto, a efetivação de medidas para a resolução da problemática que envolve a literacia familiar no Brasil. Nesse viés, o Poder Executivo, responsável pela harmonia social, deve propor parcerias com empresas de comunicação para disseminar a importância do papel da família no processo de leitura, por meio de incentivos fiscais, no intuito de reorientar os país sobre o assunto. Ademais, o governo deve elaborar políticas públicas efetivas, com intuito de realizar um maior investimento em projetos sociais que incentivem a literacia familiar, com o propósito de proporcionar um sistema de educação de qualidade. Espera-se, com isso, reverter essa conjuntura e, assim, alcançar a materialização do enredo literário “A menina que roubava livro” na sociedade.