A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 17/11/2021
Na obra literária “Cidadania no Brasil: O longo caminho”, o historiador José Murilo de Carvalho, debate a importância da titularidade e aplicação plena dos direitos e deveres em prol do desenvolvimento social. Contudo, na sociedade pós-moderna brasileira, a deficitária aplicação da literacia familiar, vão de encontro com o progresso da nação, uma vez que não é aplicada no cotidiano dos cidadãos. Tal problemática, possui como intensificadores uma lacuna no sistema educacional, mas também uma falha do aparelho estatal, aos quais devem ser debatidos eticamente para ser mitigados.
Em primeiro lugar, é oportuno destacar que o modelo educacional brasileiro não dialoga de forma assídua com o núcleo familiar. Nessa lógica, em concordância com Pierre Boudieu, sociólogo francês, o envolvimento parental no processo de ensino-aprendizagem é primordial para o repasse de capital cultural, no entanto, o posicionamento do docente como único provedor de conhecimento potencializa o distanciamento dos pais na educação, reduzindo momentos cruciais de convivência e estímulo, como a literacia. Quanto a isso, cabe exemplificar o caso da pequena Alice Secco, de dois anos, que vislumbra seus seguidores da rede social “Instagram”, pela sua ótima dicção ao falar palavras complexas e entre outras habilidades, mesmo sem ter contato com o meio escolar. Logo, é primordial que se supere as adversidades que impossibilitem a interação literária parental para que casos assim se tonem comuns.
Outrossim, é pertinente que a Constituição Federal de 1988 assegura - no artigo 205° - a educação de qualidade e democrática como direito de todos. Todavia, em contraste com esse ordenamento jurídico, apesar da existência de programas nacionais, como o Conta para Mim, ainda é distante o contato com do tecido social com essa política, seja pela ínfima publicidade, ou pela disparidade social. Desse modo, a promoção da literatura no âmbito domiciliar, a qual deveria agir como ferramenta impulsionadora da educação, é apresentada de forma dissonante das garantias constitucionais, uma vez que não apresenta alcance satisfatório.
Em suma, é primordial que mecanismos sejam mobilizados para torna acessível a literacia familiar. Logo, compete ao Ministério da Educação (MEC), promover um Plano Nacional de Literacia Familiar, sob forma de Simpósios estaduais, realizados nas escolas - direcionado aos pais - com a realização de debates que abordem a importância dos responsáveis no discernimento dos educandos e do contato afetuoso promovido pela literatura. Outrossim, o Mec também deve distribuir livros nas escolas, com o fito de democratizar o acesso à literatura, além de divulgar com mais ênfase a minibiblioteca virtual, disponível no site do Governo Federal. Espera-se que dessa forma, os brasileiros possam gozar de seus direitos e serem cidadãos plenos, como definido por José Murilo de Carvalho.