A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 20/02/2022

Na obra australiana “A menina que roubava livros”, a personagem principal, uma menina alemã de 10 anos, rouba o primeiro livro no enterro do irmão e, desde de aquele momento, sempre que tem uma oportunidade furta outro, pois, além de amá-los, são artigos de difícil acesso. Atualmente, vivemos em uma realidade pouco distante da ficção, na qual livros são considerados “artigos de luxo” para muitos. Observa-se que, o incentivo à leitura e disponibilização de obras literárias por parte do Estado ainda são questões a serem debatidas.

Em primeira análise, é importante ressaltar que pesquisa realizada pela Fundação Kovacs, na Espanha, aponta que a conduta dos pais influencia também os hábitos dos filhos. Portanto, o contato com a leitura deveria ser estimulado dentro de casa, porém, em um país onde os cidadãos leem, em média, 5 livros por ano, o exemplo não é suficiente. O problema, para grande parcela da população, é a falta de tempo livre suficiente para praticar o ato da leitura, enquanto para outros o desafio está na leitura em si, visto que, cerca de 11 milhões de pessoas são analfabetas aqui.

Ademais, para o sociólogo brasileiro Betinho, “um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo pela sua ciência , mas sim pela sua cultura”. Não obstante, o Estado brasileiro não investe na distribuição de obras literárias ou acesso simples a essas obras. Não basta construir bibliotecas públicas nos centros das cidades e acreditar que isso facilita o acesso para todos, é preciso soluções que introduzam a leitura para população de forma eficaz.

Logo, para importância da literacia familiar e individual ser compreendida no Brasil é preciso investimento por parte do Ministério da Educação nas bibliotecas das escolas públicas com livros para todas idades, de modo que sejam criados programas que permitam os pais também retirarem livros, para que o acesso seja garantido e as crianças e adolescentes incentivados. Além disso, é necessário desenvolver feiras literárias com ajuda de voluntários e da coordenação dessas escolas, para lerem um livro a cada final de semana para os que comparecerem em praça pública onde será realizada a ação, de forma que cada final de semana uma escola seja responsável pelo projeto, assim a leitura será acessível para população.