A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 10/11/2022

“Uma nação se faz com homens e livros”. Na ótica de Monteiro Lobato, essa advertência é inquestionável, uma vez que a literacia torna-se um hábito benéfica à saúde mental e, sobretudo, uma atitude básica na formação do indivíduo. Nessa perspectiva, percebe-se o Brasil com um índice deficitário nessa esfera, na qual a ausência de bibliotecas públicas e, por tabela, o absentismo de incentivo e de auxílio ao estudo destacam-se como um processo retrógrado. Nesse sentido, nota-se uma imagem de omissão e de desleixo que apadrinha o país.

Essa assertiva deriva, em especial, da pífia ação da máquina estatal nessa área. De acordo com a Constituição Federal de 1988, o direito à educação de qualidade é garantido a todos. Em contrapartida, o Estado não efetiva tal princípio, visto que os colégios de rede pública são precários e não apresentam programas de incentivo ao ensino. Com isso, impede que transformações educacionais ocorram, haja vista que, para o educador Paulo Freire, se a educação sozinha não muda o olhar coletivo, sem ela tão pouco a sociedade muda. Logo, mostra-se um governo ineficiente em garantir a essa parcela o Direito Constitucional conquistado.

Por sua vez, outro fator é o papel apático da coletividade nessa temática. Na dialética de Lya Luft, em seu texto “Alegres e Ignorantes”, a autora postulou: “Mas, se somos desinformados, somos vulneráveis”. Nesse viés, quando a sociedade não enxerga a importância da literacia familiar com prioridade, gesta-se uma geração de embrutecidos relegados ao limbo da desinformação, e não menos perigoso, a vulnerabilidade social, como o aumento da evasão escolar e de indivíduos não alfabetizados, fato justificado pelo IBGE que apontou, que 11 mil jovens não são alfabetizados. Dessa forma, a ausência de comoção do olhar coletivo com essa mazela contribui para o descaso na educação.

Infere-se, portanto, que, nessa problemática, o Estado deve intensificar os investimentos nessa área, por meio de verbas destinadas para a solução dessas agruras, ampliando o número de bibliotecas públicas e promovendo feiras, como a Bienal do livro, que levem esse mundo até a sociedade, a fim se barrar o percurso de todo o caos. Desse modo, a citação de Monteiro Lobato será uma realidade brasileira.