A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 28/01/2023

No livro “Os jovens e a leitura”, Michèle Pepit, antropóloga francesa, reflete sobre a importância da leitura para a formação humana e para a inclusão social. Nesse sentido, pode-se lembrar de que Paulo Freire sempre defendeu que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar condições para a sua construção. Assim, defende-se que tanto o debate como o fomento da literacia familiar são de suma importância, já que são instrumentos férteis para o avanço da cultura letrada.

Nesse sentido, o Ministério da Educação criou o programa “Conta para mim”, cujo objetivo é superar o ciclo de pobreza e vulnerabilidades sociais. Para o MEC, a aposta do projeto é conjugar interação entre pais e filhos, estimulando uma relação lúdica, em que livros e palavras surgem como instrumentos de diversão e afeto. As estatísticas do MEC afirmam que as crianças da classe média alta possuem um vocabulário de aproximadamente 1.116 palavras. Enquanto os infantes das classes pobres dominam apenas 525 palavras em média. Então, seguindo a lógica do método do “patrono da educação brasileira”, os pais devem seguir os passos do programa para despertar o hábito da leitura em casa, desenvolvendo-se, desse modo, vocabulário, criatividade e sociabilidade por meio da fala e da escrita. Todavia, o projeto não leva em consideração as dificuldades socioeconômicas de grande parte da população nacional, uma vez que o programa só pode ser acessado pela internet. Isto posto, é mais um programa cheio de boas intenções, porém insensível à realidade das moradias subnormais espalhadas pela pátria.

Outrossim, seja no contexto da França ou do Brasil, é sempre um desafio desenvolver o gosto do jovem pela leitura. Para Michèle Petit, o papel do mediador é fundamental nesse sentido. Para a francesa as bibliotecárias e os professores são atores centrais para o sucesso dessa tarefa. Por outro lado, na literacia familiar do MEC, os pais são as chaves para o sucesso: porque, com o suporte e o material do programa, estariam capacitados a estimular as crianças a interagir com os livros e com as letras. Nesse viés, o programa recomenda que os pais leiam em voz alta para os filhos, porquanto os pilares do programa são: ler, ouvir, falar e escrever.

Portanto, urge que o MEC disponibilize mais recursos para expandir o projeto.