A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros
Enviada em 26/06/2026
No livro “Holocausto Brasileiro”, a jornalista Daniela Arbex discorre sobre os horrores vividos pelos pacientes do Hospital Colônia em Barbacena, evidenciando como parte da comunidade médica propagava valores que renegavam a ética e normalizavam a barbárie institucionalizada. Embora o cenário atual não reproduza o genocídio, a essência da desumanização persiste na prática médica no Brasil. Nesse sentido, a mercantilização da saúde evidencia-se como um entrave ético, junto à falência institucional e ao corporativismo ideológico médico.
Sob essa ótica, o modelo econômico contemporâneo, ao tratar o bem-estar como mercadoria, privilegia as classes mais abastadas, deixando, assim, a marca da desigualdade impressa nos corpos. Nesse viés, o sociólogo Pierre Bourdieu, ao discorrer sobre o “Capital Corporal” postula que a saúde e o bem-estar converteram-se em símbolos de status alcançados em sua plenitude por quem pode pagar por procedimentos, protocolos estéticos e profissionais como personal trainer. Dessa forma, o exercício da medicina acompanha a perspectiva do capital, de modo a subvalorizar os preceitos éticos embasados em humanidade, acolhimento e ciência.
Ademais, a regulação do exercício da profissão médica objetiva propagar a ética e humanizar o paciente durante os atendimentos. Diante disso, a teoria do “Biopoder” de Michel Foucault estipula que o poder político e econômico está no controle dos corpos e da saúde dos citadinos. Logo, espera-se que os órgãos reguladores dos profissionais médicos sejam permeados por princípios bioéticos. No entanto, no Brasil, o órgão incumbido dessa função é conhecido por agir em detrimento do saber científico. Essa chaga ficou evidenciada durante a pandemia de Covid-19, quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) respaldou o chamado “tratamento precoce”, preterindo as evidências científicas globais em nome de interesses corporativistas e ideológicos.