A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 14/07/2021

No Livro “Por um Fio”, o médico Drauzio Varela disse que a função primordial da medicina é aliviar o sofrimento humano. Essa ideia se contrapõe a de que os médicos salvam vidas, e os colocam como seres limitados, porém dispostos a ajudar quem sofre. No entanto, a epifania de Drauzio não aparenta ser comum a alguns médicos brasileiros e os casos de abusos exibem uma certa prepotência em determinados profissionais. Por isso, a humanização precisa ser uma pauta na saúde nacional, seja durante a graduação, seja na área de trabalho, para que se respeite e priorize o bem-estar do outro.

Nesse contexto, casos como o do médico paulista que fez piada nas redes sociais com a forma de falar do paciente demonstram a arrogância de certos membros da classe. Essa postura, que envergonharia Hipócrates, nem sempre impacta em algum revés claro para o profissional. Isso porque, o próprio Conselho Federal de Medicina (CFM) não possui normas que se opõe a comportamentos semelhantes, ou seja, não há base legal para represálias. Dessa forma, condutas vexatórias passam despercebias pela justiça, porém, aumentam os pesares dos pacientes.

Em contrapartida, trabalhos de profissionais comprometidos em “aliviar o sofrimento humano”, como a geriatra Ana Claudia Quitana, têm adquirido espaço na mídia. Com palestras no TEDx e entrevistas na rede aberta, Dra. Ana é um exemplo de como valorar os sentimentos dos pacientes e todas suas limitações dão razão para a prática médica. E essa postura, felizmente, também é praticada pelas instituições de excelência, a Universidade de São Paulo, por exemplo, tem a medicina humanizada como um dos pilares da formação. Logo, é visível que a ideia de profissionais mais empáticos é o futuro dessa classe, mas é preciso trazer esse ideal para o presente.

Diante desse cenário, priorizar o respeito e o bem-estar de qualquer enfermo é um dever do profissional da saúde. E para que isso ocorra, a princípio é preciso que entidades como o CFM – ou até mesmo os conselhos estaduais- revejam suas normas e punições sobre as condutas ofensivas ou de desdém por parte dos médicos, via reformulações do código de ética, para desestimular ações erráticas como as ocorridas. Para além disso, o Ministério da Educação, junto com as reitorias das universidades públicas do País, devem primar humanização em todos os cursos de saúde, via mudanças curriculares, com o intuito de formar profissionais completos para servir a população.