A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 19/07/2021

O livro “Flores para Algernon”, de Daniel Keyes, retrata o cotidiano de Charlie, após um procedimento cirúrgico, demonstrando a dificuldade de acesso a um atendimento mais humanizado pelo protagonista, já que alguns profissionais do hospital passam a desconsiderar as suas exigências. Fora da ficção literária, no entanto, essa realidade de ausência de uma medicina mais humanizada, hodiernamente, configura-se como um desafio preocupante para a sociedade brasileira. Dessa forma, é indubitável que os inúmeros benefícios proporcionados pela adoção de uma relação médico-paciente mais participativa é impossibilitada, devido ao tradicional modelo “conteudista” nas faculdades.

Em primeira análise, é indubitável considerar a importância de uma medicina mais humanizada na determinação de diagnósticos, bem como na realização de tratamentos. Essa atitude vai ao encontro do pensamento de Aristóteles, filósofo da Grécia Antiga, ao afirmar que o homem é um animal sociável. Sob essa perspectiva, é notória a necessidade de uma maior interação dos profissionais com os clientes, que como salientado, pelo pensador é refletido a partir da aceitação, acolhimento e diálogo, iniciados pelos profissionais da saúde, permite que o paciente tenha uma maior confiança e expectativa no processo de recuperação. Tal fato, pode ser percebido pela obra cinematográfica “Nice o coração da loucura” , em que através da substituição de tratamentos tradicionais por humanizados, dirigidos pela  médica, houve uma melhora no quadro clínico de seus pacientes esquizofrênicos.

Em segunda análise, cabe destacar os “tradicionalismos” adotados pelas escolas e faculdades que impedem a formação de profissionais que priorizam o paciente. Nesse sentido,em  dissonância com tal apontamento, segundo Paulo Freire, patrono da educação brasileira, em seu livro “Pedagogia da Autonomia”, é dever das escolas não fomentar apenas o saber programático, mas também habilidades socioemocionais, como empatia .Conquanto, é notório que tal prerrogativa defendida pelo educador não está sendo reverberada, uma vez que a valorização do conteúdo, em detrimento a matérias como “ética” impossibiltando um tratamento mais solidário por parte desses futuros profissionais.

Destarte, medidas são necessárias para a resolução desse impasse. Logo, cabe ao Ministério da Educação garantir o ensino de matérias éticas, tanto em faculdades, como no ensino básico, por meio de uma reforma da base curricular, com o fito de que o tratamento humanizado possa ser mais reverberado na sociedade. Outrossim, é dever das Secretarias de Saúde municipais promoverem palestras que reforcem a política nacional de humanização para os profissionais públicos, sobretudo do ambiente hospitalar. Como efeito social, haverá uma sociedade que preza pelo respeito, fazendo com que casos de decaso ao paciente, como ocorrido com Charlie, permaneçam apenas na ficção.