A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros
Enviada em 22/07/2021
Na série “Dr. House”, é retratada a história de um médico genial, que, por não realizar atendimentos pessoalmente, apresentava uma forte resistência dos seus pacientes, já que não se sentiam confortáveis com a situação. Nesse sentido, percebe-se que a ideologia de House deve ser evitada no contexto brasileiro vigente, visto que a medicina humanizada potencializa a saúde da população. Com efeito, é de suma importância relacionar o bem-estar das pessoas com um tratamento humano, uma vez que se promove melhor qualidade de vida e se permite uma comunicação eficiente.
Diante desse cenário, o equilíbrio entre o estado físico e o estado emocional é a base para se promover a saúde dos indivíduos. Acerca disso, Paulo Muzy - renomado ortopedista - afirma que um dos maiores desafios dos profissionais da saúde é a suposta cura do problema físico do paciente sem a realização de um acompanhamento emocional subsequente. Ou seja, realizar, por exemplo, uma cirurgia bariátrica em um obeso mórbido não resolve a situação por completo, haja vista que a mentalidade, se não for trabalhada adequadamente, ficará a mesma. Nesse sentido, o médico precisa encontrar uma forma de se conectar com o lado humano da pessoa com o objetivo de o induzir a um estilo de vida saudável. Assim, enquanto a medicina humanizada agir como privilégio, a promoção da verdadeira qualidade de vida será a exceção.
Ademais, para que o bem-estar dos brasileiros seja garantido, a linguagem médica precisa ser compreendida pelo público em geral. Sob esse aspecto, Noah Harari - autor da obra “Sapiens” - caracteriza o processo de formação das primeiras sociedades, as quais só conseguiram alcançar o clímax no momento em que a comunicação foi estabelecida. Nessa ótica, o pensamento de Harari parece ser extremamente fácil de ser executado; porém, em diversos ramos da medicina, os profissionais informam o tratamento clínico por meio de termos complexos, o que, para um cidadão leigo, torna-se incompreensível. Logo, a falta de humanização na linguagem médica, semelhante às atitudes do fictício Dr. House, dificulta a garantia de saúde no Brasil, posto que a carência de empatia inviabiliza a compreensão da solicitação feita pelo especialista ao paciente.
Portanto, para que a qualidade de vida dos brasileiros seja garantida, o Ministério da Saúde deve incentivar os médicos a utilizarem um vocabulário mais simples de ser entendido e deve exigir que tratem os cidadãos com dignidade, por meio da criação de uma campanha - “Medicina mais Humana” - que crie a possibilidade do surgimento de um ambiente favorável para a formação de vínculos com os pacientes. Essa iniciativa teria a finalidade de tornar a medicina mais humanizada, de sorte que o desenvolvimento de uma vida saudável deixe de ser, em breve, um privilégio no Brasil.