A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 29/07/2021

A série brasileira “Sob pressão” aborda o cotidiano em um hospital público, no qual a precariedade da infraestrutura e a falta de profissionais capacitados contribuem para o comprometimento do atendimento humanizado. Fora das telas, no entanto, a conjuntura da sociedade brasileira não diverge da ficção, tendo em vista que a falta de investimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e o individualismo permitem a ocorrência desse panorama. Nesse sentido, convém analisar as causas e as soluções viáveis para atenuar tal problemática.

Deve-se analisar, de início, como a negligência governamental contribui para esse impasse. Segundo a Constituição de 1988, é dever do Poder Público zelar pelo bem-estar da população, garantindo os direitos essenciais, como o acesso à saúde. Entretanto, são poucos, de fato, que possuem esses privilégios efetivados, visto que de forma análoga ao seriado, as instituições públicas de saúde não são devidamente equipadas para suprir a demanda da população. Dessa forma, observa-se que a falta de priorização de investimentos por parte do governo no SUS, evidencia a violação dos direitos presentes na Magda Carta brasileira, tendo em vista que sem uma infraestrutura adequada, a equipe de saúde não consegue realizar com efetivação a união da técnica do atendimento com o bom relacionamento entre o profissional e o paciente.

Somado a isso, é essencial compreender como o individualismo reflete negativamente no atendimento humanizado. O conceito “Homem cordial” proposto pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, afirma que de acordo com a análise comportamental dos brasileiros, eles tendem a ser individualistas, colocando suas prioridades acima dos interesses coletivos. Sob tal perspectiva, pode-se afirmar que essa tendência compromete o relacionamento entre o profissional da saúde e o paciente, pois muitos colaboradores priorizam aspectos quantitativos e não qualitativos, visando o interesse financeiro, por exemplo. Dessa maneira, o cuidado empático de sensibilização e compreensão com a realidade do paciente é significativamente prejudicado.

Diante disso, é necessária uma ação efetiva por parte do Governo, instância máxima de administração executiva, que consistiria na promoção de palestras nas instituições públicas de saúde e de campanhas de cunho informativo e de amplo alcance, através dos meios de comunicação, como publicações nas redes sociais. Nesse processo educativo, deve ser abordada a importância do atendimento humanizado e os impactos negativos da sua ineficácia, com o objetivo de diminuir o individualismo e promover com efetivação a recuperação dos pacientes. Ademais, também é necessária a adoção de políticas de priorização de investimentos no SUS, a fim de evitar panoramas análogos a série ‘‘Sob pressão’’.