A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 07/08/2021

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao respeito. Contudo, na atual sociedade verde-amarela, há um ínfimo respaldo à medicina humanizada, devido, majoritariamente, à negligência governamental e à má formação socioeducativa.

Diante desse cenário, vale ressaltar o “Pacto Social”, do contratualista John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos, como a saúde e o bem-estar. No entanto, é evidente o rompimento desse contrato quando se observa a ausência de punição àqueles profissionais da saúde que estão diretamente envolvidos nos episódios de desrespeito aos pacientes, o que fere totalmente a Magna Carta. Nesse âmbito, o livro “Depois Daquela Viagem”, cuja autora Valéria Piassa Polizzi, após diagnosticada com HIV (vírus da imunodeficiência humana), retrata o menosprezo social emitido por parte de sua equipe médica - ação essa que, infelizmente, é cada vez mais frequente no país tupiniquim. Assim, é notória a ineficácia estatal na implantação dessas atribuições normativas para todos os cidadãos, uma vez que a falta de apoio daquele que é responsável por promover o bem-estar coletivo contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Além disso, alude-se ao pensamento do intelectual Paulo Freire, ao evidenciar que, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Sob essa perspectiva, percebe-se a importância do estímulo das escolas para a formação de indivíduos íntegros e conscientes, haja vista que existem muitos jovens que não conhecem as ocorrências de insubordinação nas consultas médicas no território nacional - visto que esse tema não é, na maioria das vezes, devidamente abordado durante as aulas de Sociologia - e menos ainda denunciam essa conduta inadmissível. Dessa forma, as instituições de ensino possuem uma importante função para que esse imbróglio não se perpetue no futuro.

Portanto, são essenciais medidas operantes para a reversão da medicina não humanizada no Brasil. Para tanto, cabe ao Poder Judiciário punir, por intermédio de indenizações, as pessoas responsáveis pelos ataques aos pacientes. Ademais, compete ao Ministério da Educação - órgão responsável pela administração dos aspectos educacionais da nação - trabalhar nas escolas, no componente curricular de Sociologia, os malefícios intrínsecos ao desrespeito de alguns membros da equipe de saúde, a exemplo, ainda na obra de Polizzi, da interrupção do tratamento (fator extremamente maléfico para o êxito no tratamento), por meio de pesquisas on-line realizadas pelos próprios alunos, a fim de elucidá-los sobre a necessidade de repudiar - e de denunciar – essas situações de abuso moral.