A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 13/08/2021

No filme estadunidense “Golpe do Destino”, o médico Jack percebe o quão desumano pode ser o atendimento hospitalar, em razão da aquisição de uma doença que o transforma em paciente. Devido a isso, depois de curado, ele se torna um profissional com mais empatia pelo próximo. Porém, contrária à ficção é a realidade brasileira, em que há uma falta de percepção de como os pacientes podem ser desrespeitados, visto que há desafios para se promover a humanização da medicina no Brasil. Sendo assim, a idealização de ser médico e a fragilidade das relações sociais estão dentre os principais problemas. Desse modo, é preciso que se humanize a medicina para a saúde dos brasileiros.

Inicialmente, destaca-se que a idealização da medicina contribui para a falta de humanidade nos serviços médicos. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim os fatos sociais exercem força sobre o indivíduo e os levam a conformar-se às normas da sociedade em que vivem, por meio da coerção social. Igualmente, a coletividade supervaloriza a profissão de médico, como se ela fosse a “padrão”, por oferecer boa remuneração e “status”, o que resulta em inúmeros brasileiros que desejam seguir essa carreira, sendo que parcela deles apenas foram coagidos a seguí-la por tais interesses. Como efeito, quando chegam a exercer o ofício, esses indivíduos, comumente, não conseguem ser bons profissionais, pois não sentem paixão pelo que fazem e não conseguem tratar o paciente com carinho e respeito, como seu semelhante, pelo contrário, podem se achar superiores e tratá-los com arrogância.

Ademais, convém lembrar acerca da fragilidade dos relacionamentos interpessoais. Em concordância com o sociólogo Zygmunt Bauman, o mundo vivencia a chamada “modernidade líquida”, em que as relações sociais tornam-se superficiais, de modo que o ideal de solidariedade é substituído pelo individualismo. Da mesma forma, os profissionais de saúde, frequentemente, não estabelecem um bom relacionamento com os seus pacientes, já que não conseguem ter empatia e, por isso, transmitem uma imagem de quem só se preocupa com si próprio. Tal situação é refletida em consultas médicas “mecânicas”, isto é, ocorrem sempre do mesmo modo, são rápidas para reduzirem ao mínimo o contato pessoal, o que pode impedir o paciente em expressar o que sente, por medo de falar de mais.

Logo, alternativas devem ser apresentadas para a resolução da problemática que envolve a humanização da medicina no Brasil. O Ministério da Saúde deve realizar campanhas, mediante as redes sociais, tais como Facebook e Instagram, que reprovem a idealização da medicina e a mostrem como uma profissão que exige do profissional amor ao próximo, a fim de desfazer padrões sociais. Além disso, o mesmo órgão precisa discutir sobre as relações interpessoais na medicina, em congressos médicos, com o fito de conscientizar os profissionais a serem atenciosos com os seus pacientes.