A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 13/08/2021

Calcanhar de Aquiles

Mesmo antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) ser fundada, em 1948, a sociedade já compreendia a importância de assegurar o bem-estar do Homem. Nesse sentido, com a evolução da espécie e do conhecimento científico, viabilizar os caminhos de acesso a medicina humanizada faz-se de grande relevância para o desenvolvimento pleno de uma nação. Entretanto, a descapacitação dos profissionais brasileiros, que trabalham com vidas, tem sido o “calcanhar de Aquiles” ante essa evolução no âmbito da saúde.  Logo, é de extrema importância solucionar esse problema: capacitá-los.

Diante desse cenário, a resvista Science publicou, em 2019, um artigo que explicíta os benefícios de humanizar os atendimentos médicos. Segundo esse estudo, 91% dos pacientes que recebem um tratamento humanizado nas clínicas que frequentam, apresentam uma recuperação mais rápida. Dessa maneira, ante a cuidados mais empáticos, por profissionais mais ouvintes, as pessoas tendem a responder emocional, física e mentalmente melhor, o que possibilita um avanço significativo no combate e prevenção de muitas doenças. Em contrapartida, localizar equipes médicas que sirvam conforme tal modelo, mostra-se um grande desafio do atual mundo moderno.

Em consonância com essa assertiva, a OMS, em parceria com o Ministério de Saúde, constatou a dificuldade de encontrar, nas atuais linhagens de equipes médicas, pessoas treinadas para ouvir e compreender o outro. Uma vez que, como filhos da pós-modernidade, essa nova geração de profissionais, a qual está habituada com a instantaneidade das coisas, trata suas consultas como receita de miojo. Em decorrência desse fato, seus atendimentos tornam-se tão rápidos e impessoais que removem o protagonismo do paciente e realocam-o na doença, o que dificulta o surgimento de uma relação profissional-paciente saudável, fluída e de via dupla, na qual ambos se escutam.

Destarte, parafraseando o pai da medicina, Hipócrates, humanizar-se é enxergar o outro. À luz dessa filosofia, faz-se de suma necessidade a prática da medicina humanizada no Brasil e, junto a ela, a capacitação profissional para tal, a fim de melhorar a qualidade dos atendimentos médicos nacionais. Para isso, cabe ao Poder Legislativo e ao Governo Federal, criar e efetivar políticas públicas que possam visar, por meio de simpósios, palestras para jovens profissionais e programas de capacitação médica e hospitalar, instruir todos da área da saúde acerca da importância de humanizar a medicina brasileira. Assim, com a ação conjunta desses agentes da mudança, a qualidade e a eficácia dos tratamentos médicos irão evoluir e o ponto fraco da nação, o seu “calcanhar de Aquiles”, que é a saúde, terá a sua vulnerabilidade reduzida.