A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 13/08/2021

A Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro em 1904, demarca um episódio em que, graças ao tratamento compulsório e invasivo recebido pela população da periferia do estado fluminense em meio à campanha de vacinação, são realizadas rebeliões contra procedimentos médicos e sanitários indignos. Mediante ao exposto, hodiernamente, ao observar o descaso com que é tratada parcela dos cidadãos brasileiros em relação aos cuidados medicinais, constata-se a importância da medicina humanizada para a saúde no país. Por isso, graças à falta de estrutura hospitalar apropriada e à negligência com que são tratados os enfermos, tal cenário emerge como uma problemática.

Em primeiro plano, a ausência de infraestrutura em ambientes clínicos corrobora a conjectura. Nesse sentido, o livro “Holocausto brasileiro”, de autoria de Daniela Arbex, retrata as condições vividas em um hospital psiquiátrico em Barbacena, no qual é relatada a carência material, relacionada à falta de uma estrutura básica para o cuidado hospitalar, e profissional, relacionada à escassez de médicos habilitados. Dessa maneira, a partir do momento em que é observada uma insuficiência estrutural em unidades médicas, torna-se concomitante a ineficiência de tratamento medicinal, na qual se vê comum a gritante limitação de cuidados funcionais aos pacientes. Logo, graças à carente infraestrutura, relatada no Brasil desde o século XX por Daniela Arbex, evidencia-se a desumanização da medicina.

Ademais, o descaso com que são tratados os procedimentos medicinais e o bem-estar de enfermos agravam, ainda mais, o quadro. Nesse viés, em passagens da obra literária “O diário de Anne Frank”, são explicitados os métodos de cuidados médicos praticados em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, que, motivados pelo sentimento eugenista do governo de Hitler, tornavam inóspitos tais campos. Desse modo, ao aplicar tal conceito à realidade brasileira, no instante em que são evidenciados atos negligentes e que violam os preceitos da dignidade humana, fator ocasionado, muitas vezes, pela falta de profissionalismo em meio às unidades hospitalares, percebe-se distante a humanização da medicina no Brasil. Assim, graças aos problemas advindos ao quadro, são necessárias medidas de intervenção.

Portanto, depreende-se que a questão da falta de medicina humanizada para os brasileiros é um desafio e carece de soluções. Sendo assim, o Ministério da Saúde, em parceria com prefeituras regionais, deve, por meio do aprimoramento na infraestrutura hospitalar em localidades carentes no Brasil, prover recurso aos profissionais da área médica e disponibilizar um tratamento adequado aos pacientes, a fim de tornar os procedimentos medicinais dignos e acessíveis à população o que, por conseguinte, humanizará a medicina nacional e prevenirá episódios como a Revolta da Vacina em 1904.