A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros
Enviada em 27/08/2021
Durante o século XIX, o médico Joseph Lister foi pioneiro nos estudos com microscópio na medicina. Com suas descobertas, ele conferiu um caráter mais científico a ela. Nesse cenário, médicos, além de seu habitual ofício, se tornaram também cientistas. Dessa forma, no Brasil, vê-se que o exercício médico está cada vez mais mecanizado, desvalorizando o contato humano com o paciente, assim como suas angústias, medos e inseguranças. Isso ocorre tanto pela cientificização da arte médica quanto pela má formação filosófica e humana do profissional da saúde.
A priori, é fulcral notar que o cientificismo é uma das causas que agrava a problemática. Nesse sentido, segundo o filósofo neotomista Sertillanges, a ciência é um conhecimento pelas causas, porém, não é a única forma de se conhecer. Analisando o pensamento e trazendo-o para o contexto da humanização da medicina, compreende-se que a partir da ciência é impossível entender o paciente, já que ela o trata como um aglomerado de células, não como um indivíduo único. Os médicos se alienaram nessa concepção materialista, em que não há espaço para o cuidado subjetivo do ser humano, fazendo com que o diálogo entre eles e os pacientes seja dificultoso. Assim, é de suma importância que o pensamento positivista não se perpetue na área da saúde.
Ademais, cabe ressaltar a péssima formação humanística dos estudantes e profissionais da saúde. Nessa ótica, na obra “Lições de Abismo” do autor Gustavo Corção, o médico Dr. Aquiles compreende a arte médica como um sacerdócio, ele não cuida somente do corpo, mas também da alma; do homem por completo. Entretanto, esse ideal não ocorre na realidade. Desse modo, não há uma preocupação extensiva com o psicológico humano e nem com a sua metafísica. Por conseguinte, essa mazela se perpetuará e só se encontrará uma solução quando a filosofia se incorporar à medicina; quando o paciente for a primeira preocupação, antes mesmo da doença.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar o quadro atual. Dessarte, faz-se necessário que o Ministério da Saúde (MS), por meio de verbas governamentais, crie um programa de formação filosófica e humanística para os estudantes da área da saúde, contando com professores especializados no assunto. Outrossim, deve-se ensinar a importância da empatia e a necessidade de compreender o paciente como indivíduo único. Com essas medidas, objetiva-se liquidar efetivamente o problema da falta de humanização na medicina.