A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros
Enviada em 03/09/2021
Em sua obra de arte “The bond”, a artista australiana, Patricia Piccinini exibe uma relação de afeto entre a mulher e um indivíduo, com traços que remetem a um ser com mutações genéticas. Dito isso, denota-se um comportamento humanizador da humana sobre a personagem, que aparenta estar em estado de vulnerabilidade. Nesse viés, a adoção de tal postura é basilar na sociedade, em especial, no âmbito hospitalar, pois uma medicina humanizada ameniza emoções turbulentas em pacientes, e pavimenta uma estrada de proximidade entre o médico e o atendido. Por conseguinte, é imprescindível discussões sobre a importância da adoção de tais estratégias, em prol ao bom convívio da sociedade.
Em primeiro plano, é lícito destacar que doenças são motivadores de inquietude e estresse. Nesse contexto, o psicanalista Antonio Quinet, em seu livro, “Um olhar a mais”, defende que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Sob essa ótica, um olhar positivo sobre a batalha que ocorre no interior do indivíduo, suscita a esperança e a coragem nos doentes. Ademais, é inegável que os pacientes estão em uma situação de medo ao lutar por sua sobrevivência, então, um tratamento compassivo, levando em consideração a saúde mental do tratado, alivia suas tensões. Assim sendo, todo o processo de cura se torna mais convidativo quando é rodeado de pessoas caridosas e otimistas.
Outrossim, a humanização dos profissionais de saúde possibilitam uma maior abertura com seu paciente. Nesse sentido, em sua música “Kill them with kindness”, Selena Gomez faz referência a um mundo cruel e a necessidade de combater essa crueldade com gentileza. Fora da trilha sonora, é notável que a doença se classificaria como uma maldade e apesar de ser preciso combatê-lo ferozmente, o seu hospedeiro abraça toda a bondade que encontra. Todavia, médicos frios tendem a afastar seus pacientes, por os fazer sentir distantes e mal atendidos. Nessa perspectiva, um tratamento benevolente, cria um laço com o paciente, deixando-o mais confortável com seu médico e fazendo-o se sentir mais seguro. Dessa forma, essa proximidade entre médico-paciente os faz sentir bem assistidos, potencializando a confiança em seu médico.
Depreende-se, portanto, que é de grande magnitude a medicina humanizada no Brasil, principalmente, no atual cenário pandêmico, onde a exclusão social aliado ao medo da doença, fragilizou a saúde mental de muitos brasileiros. Desse modo, é essencial que o Ministério da Saúde promova a adoção de atitudes humanistas por profissionais na área da saúde, por meio de lives nas redes sociais com o intuito de despertar a necessidade de tratar o paciente e não a doença, assim, concretizando a visão artística de Piccinini.