A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros
Enviada em 20/09/2021
O pintor Pablo Picasso, na obra “Guernica”, apresenta uma flor no plano inferior da tela, simbolizando a ideia de esperança perante um cenário de destruição causado por um conflito bélico. É possível realizar uma analogia entre esse elemento simbólico e a desvalorização da medicina humanizada para a sáude dos brasileiros, já que, diante deste entrave, adotar uma postura otimista pode favorecer o “florescimento” de soluções. Nessa perspectiva, é imprescindível analisar essa questão no país.
Antes de tudo, compreende-se que o Poder Público tem se mostrado negligente ao permitir essa desvalorização. Isso porque existe uma falha no processo de conscientização, visto que falta informar os médicos sobre a importância da medicina humanizada para a confiança dos pacientes no diagnóstico das doenças feito pelos profissionais, prejudicando, assim, a forma de tratamento recomendada aos enfermos e, por conseguinte, violando o direito à saúde destes. Dessa maneira, nota-se que o Estado não tem assegurado o bem-estar de todos, o que evidencia o descumprimento dos preceitos republicanos estabelecidos na Constituição Federal de 1988.
Ademais, pontua-se que aceitar essa desvalorização é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa apatia diante da ausência de investimento financeiro estatal, posto que faltam verbas para promover a contratação de pessoas que integram as equipes hospitalares, como enfermeiros e assistentes sociais. Essa realidade tem gerado jornadas exaustivas de trabalho para os profissionais ativos e tem comprometido a qualidade das consultas, as quais têm ficado rápidas e com menos interação humana. Ao tomar como base os estudos da filósofa Hannah Arendt para explanar essa situação, constata-se que devido a um processo de massificação cultural, os cidadãos têm perdido a capacidade de discernir o certo do errado, ficando, então, inertes frente aos entraves existentes.
Ressalta-se, portanto, que a desvalorização da medicina humanizada para a saúde deve ser superada. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização dos médicos, priorizando palestras educativas com profissionais que praticam esse tipo de medicina, realizadas nos hospitais, a fim de estimular os pacientes a realizarem o tratamento adequado após o diagnóstico e garantir sua saúde. Além disso, é fundamental sensibilizar a comunidade, via campanhas midiáticas feitas por ONGs, sobre a importância de não se adotar uma postura resignada perante essa problemática, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol de verbas, a partir do ministério competente, para ampliar a contratação de equipes hospitalares, com o objetivo de reduzir a carga de trabalho e proporcionar atendimentos mais atenciosos e cuidadosos. Desse modo, seria possível solucionar esse entrave e não restringir a esperança à obra de Picasso.