A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 08/10/2021

Recentemente, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia de Covid-19 expôs que a empresa Prevent Senior, com o objetivo de liberar leitos, recomendava a redução dos níveis de oxigênio de pacientes internados há mais de 15 dias em suas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). Nesse contexto, além de outros fatores, a cultura médica calculista permitiu a adesão da postura homicida pela companhia em meio a uma crise de saúde. Isso posto, verifica-se que a adoção da medicina humanitária como procedimento padrão evitaria ocorrências desse tipo, além de contribuir para a universalização plena da saúde e proporcionar maior eficácia nos diagnósticos.

Sob esse prisma, a admissão dessa abordagem pode ter como um de seus efeitos a maior abrangência do acesso à saúde. Ao passo disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) conta com a Estratégia Saúde da Família (ESF), que visa, a partir de equipes multifuncionais, fornecer atendimento básico e consultas de rotina às famílias em situação de vulnerabilidade, especialmente. Dessa maneira, o atendimento humanizado atrelado à ESF possibilita que o SUS alcance mais cidadãos. Portanto, essa conduta médica possibilita a democratização da saúde já que leva o serviço médico até a população e não o contrário, como normalmente acontece, independente da localização e/ou renda.

Outrossim, a metodologia humanizada promove diagnósticos mais eficazes. Em vista disso, o Código Civil vê como responsabilidade civil do médico oferecer uma análise adequada do paciente e seus sintomas. Nesse sentido, o atendimento pouco empático e equivocado comumente oferecido se configura como irregular e está sujeito à punição. Dessa forma, ao utilizar da estratégia humanizada, garante-se maior sucesso na examinação e determinação da doença, uma vez que as próprias experiências dos pacientes são utilizadas como base para efetuação do diagnóstico, assim cumprindo a função civil do profissional.

Em suma, a medicina humanizada se faz importante, pois fornece acesso universal à saúde e possibilita diagnósticos mais eficazes. Assim, faz-se necessário que o Conselho Federal de Medicina (CFM), entidade de administração pública indireta responsável por atribuições constitucionais de fiscalização e normatização da prática médica, torne essa abordagem uma norma, a partir da estipulaçao de uma resolução, recurso jurídico de poder coercitivo, a fim de melhorar a relação médico-paciente em todos os hospitais do Brasil e assim, obter sucesso na universalização do sistema de saúde e nos diagnósticos efetuados.  Por fim, ao tomar essas medidas, espera-se que casos como da Prevent Senior não se repitam no futuro, uma vez que a medicina é um serviço de valorização da vida e não o contrário.