A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 07/10/2021

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Nessa concepção, a afirmação atribuída ao psiquiatra Carl Jung é claramente aplicável a importância da medicina humanizada para a saúde das pessoas, ao considerar que a demonstração de respeito e empatia são indispensáveis no tratamento do paciente, o que deve ser inserido nos ambientes hospitalares como uma prioridade. Com efeito, há de se deliberar como a arte de ouvir e a ineficiência estatal tem influência na questão.

É válido pontuar, de início, sobre a importância de ouvir os pacientes nos hospitais para a humanização de seu atendimento. A esse respeito, o líder espiritual do budismo tibetano, Dalai Lama, afirma que a arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância. Nessa lógica, a fala de Dalai expressa que atitudes simples positivistas de atenção e de cuidado com o paciente pode, sem dúvidas, ensejar em uma melhora do quadro de saúde, visto que o paciente se sente acolhido e tem a sensação que as suas demandas serão resolvidas, o que se mostra uma clara aplicação dos princípios básicos de humanidade. Assim, é impreterível que políticas públicas sejam desenvolvidas para estimular os funcionários de saúde a ouvirem com mais atenção os pacientes.

De outra parte, a falta de medicamentos, leitos e equipamentos figuram como outro desafio da questão. Acerca disso, o filósofo contratualista, John Locke, disserta que o Estado existe para a garantia de direitos inalienáveis do ser humano, dentre eles a saúde. No entanto, a aplicação prática da humanização da medicina nos hospitais requer investimentos governamentais tanto nos setores de recursos humanos, tanto nos setores de infraestrutura, o que não tem ocorrido como deveria na realidade, algo grave, pois não cumpre com a sua função social. Logo, é inadmissível que, diante da gravidade do cenário exposto, autoridades brasileiras não invistam esforços para o seu real combate.

É mister, portanto, que ocorra a humanização da medicina no Brasil. Para tanto, o Ministério Público - na condição de fiscal da lei - deve, por meio de Ação Civil Pública, processar autoridades do sistema de saúde omissos quanto o necessário investimento em recursos humanos e infraestrutura do setor para melhor atendimento dos pacientes e, consequente, melhoria do seu quadro de saúde. Essa iniciativa do MP terá como objetivo problematizar a situação e, assim, mobilizar a sociedade civil para verbalizar sua indignação. Feito isso, muito em breve, os hospitais terão infraestrutura básica para atender os pacientes e garantir que ocorra, como discorre Jung,  humanidade no tratamento do próximo.