A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 29/10/2021

A Lei nº 8080, aprovada em 1990, estabelece que os serviços de saúde pública devem garantir aos indivíduos o bem-estar físico, mental e social. Nesse cenário, percebe-se a importância da formação de uma medicina humanizada, que tem como foco a valorização do contato entre médico e paciente. Todavia, é visível que tal questão ainda esbarra na ineficiência das ações estatais e na naturalização de pensamentos preconceituosos.

Em um primeiro plano, cabe ressaltar que a ineficácia das ações do Estado dificulta a resolução desse entrave. Segundo a Constituição Federal de 1988, o poder público deve garantir a proteção integral à vida, garantindo o acesso à saúde, por exemplo. Entretanto, a falta de investimentos do governo nos hospitais públicos impede a garantia dessa diretriz. Em decorrência disso, os profissionais da área são sobrecarregados, o que resulta na ausência de humanização nos atendimentos.

Ademais, a naturalização de algumas atitudes preconceituosas durante a consulta médica colabora para a continuidade da problemática. Em 2016, por exemplo, um médico plantonista, no estado de São Paulo, fez um comentário intolerante nas redes sociais sobre o modo de expressão linguística de um paciente. Isso se opõe à proposta da Lei nº 8080 de garantir o bem-estar social dos cidadãos. Além disso, a realidade inibe a construção de uma relação de empatia e de harmonia entre o profissional da área de saúde e o enfermo, como propõe a medicina humanizada.                        Portanto, urge que medidas sejam adotadas para amenizar a influência desses elementos na contemporaneidade. Para tanto, as instituições de ensino superior do país devem, em parceria com o governo federal, instruir os estudantes de medicina sobre a importância de relações harmoniosas com os pacientes. Tal ação precisa ser realizada por meio de palestras e aulas específicas — com a presença de sociólogos e professores. Além disso, ela precisa ter como objetivo central combater as visões preconceituosas dos alunos.