A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 26/10/2021

Denominada como ‘‘Cidadã’’ por Ulysses Guimarães, a Constituição Federal de 1988, por ter sido concebida no processo de redemocratização, garante a integridade física, psicológica e emocional do cidadão, vedando qualquer tipo de violência ou silenciamento. Entretanto, no contexto brasileiro, a medicina ainda não é plenamente humanizada, mesmo diante da sua nítida importância. Assim, por ser um cenário destoante das promessas constituicionais, o individualismo e a negligência estatal configuram os entraves desse quadro, de modo que urge o combate desse impasse.

Sob esse prisma, é imperativo pontuar o fato de que a medicina está cada vez mais complexa, uma vez que a tecnologia, em conjunto com a medicalização do paciente, faz com que a medicina deixe de ser humanizada, e o profissional da saúde começa a focar essencialmente na cura e na doença, nengligenciando, dessa forma, a integridade emocional e psicológica do paciente. Para entender tal apontamento, o escritor Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro ‘‘Raízes do Brasil’’, disserta acerca da cordialidade do brasileiro, o qual, segundo ele, valoriza o individualismo, em detrimento da coletividade. Analogamente, no ramo da saúde o problema não é diferente, pois a rotina extressante e excessiva dos profissionais da saúde acaba por gerar a indiligência em ouvir e entender o paciente acima de tudo. Logo, a humanização da medicina mostra-se obstaculizada pela falta de empatia.

Simultaneamente, é válido ressaltar que a importância da humanização da medicina está ligada com a necessidade de entender a acalmar o próximo, porquanto, para ocorrer um atendimento efetivo, o paciente necessidade estar plenamente satisfeito. No entanto, a negligência estatal em promover políticas públicas para a democratização desse benefício tolhe o bem-estar social e o trabalho dos profissionais. Nesse sentido, segundo Thomas Hobbes, filósofo contratualista, o Estado é uma figura forte e poderosa, responsável pela segurança e pelo desenvolvimento da sociedade. Paralelamente, fora da historiografia, essa ideia não é evidente no Brasil, haja vista que a indiligência estatal para a criação de uma rede assistencialista impede que a humanização da medicina seja popularizada.

Portanto, diante dos desafios supramencionados, é imperioso que o Ministério da Saúde, mediante ações orçamentárias incluídas no Plano Plurinual, desenvolva redes assistencialistas, como a distribuição de planfetos nos hospitais e postos de saúde, além da ajuda da mídia em campanhas informativas. Essa medida deve ser baseada, essencialmente, em palestrantes e médicos que foquem no ensino da humanização do atendimento médico, com o fito de que os profissionais da saúde entendam e estudem a importância dessa questão, zelando pelo bem-estar social. Quiçá, nessa via, as promessas constitucionais serão usufruídas vultosamente pela população verde-amarela.