A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 17/11/2021

A medicina é uma área da saúde dedicada ao ato de cuidar do ser humano. Entretanto, há um paradoxo, pois ela precisa ser humanizada, visto que, por vezes, muitos profissionais “esquecem” que estão lidando com pessoas, de modo a tratar os indivíduos apenas no seu aspecto biológico. Nesse viés, dois fatores devem ser analisados: a sobrecarga de trabalho dos trabalhadores da saúde e o frágil respeito à multidimensionalidade do ser.

A priori, é importante ressaltar o quanto a sobrecarga de trabalho de médicos, enfermeiros e outros profissionais da área é um entrave para o processo de humanização. Constata-se essa realidade, sobretudo, com a pandemia da COVID-19, em que houve a superlotação de hospitais e a suspensão das férias de vários trabalhadores da saúde. Nesse contexto, o programa Fantástico exibiu uma série de reportagens sobre o esgotamento físico e mental decorrente de tais circunstâncias. Diante disso, as matérias mostram que, não raro, a medicina humanizada passou a ser “automática”, isto é, com atendimentos cada vez mais rápidos, desprovidos de conversas efetivas entre profissional e paciente.

Outrossim, é válido mencionar que restringir o ser humano apenas ao aspecto biológico é mais um aspecto que dificulta a medicina humanizada no país. Isso ocorre porque, segundo o escritor Leonardo Boff, o ser humano tem múltiplas dimensões, as quais devem ser respeitadas e estar em equilíbrio para que o ser esteja saudável. Diante desse cenário, uma matéria divulgada pelo site “G1” mostra um médico que zomba de um paciente após ele falar e escrever a palavra pneumonia em desacordo com a norma culta. Em outras palavras, ao tratar o paciente, o profissional desrespeitou a linguagem do mesmo, a sua cultura, de modo a constranger o cidadão, prejudicando ainda mais a saúde deste.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para valorizar a importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, instituir, em todas as instituições de ensino superior da área da saúde, a disciplina “Ouvindo gente”. Isso deve ser realizado por meio de aulas semanais, nas quais os profissionais de saúde tenham acesso a depoimentos anônimos de relatos de pacientes que falem sobre como o atendimento dos médicos impacta na sua saúde. A ação deve ser viabilizada tanto por meio de relatórios, como por vídeos e áudios, com o fito de conscientizar tais profissionais sobre a importância da forma como atendem cada indivíduo. Atrelado a isso, é primordial que o Ministério do Trabalho promova a redução da carga horária dos profissionais da saúde, com o intermédio de acordos com cada categoria, a fim que estes sejam tratados como humanos, para que possam, de fato, atender aos seus semelhantes de forma humanizada.