A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 12/01/2022

A Política Nacional de Humanização (PNH), de 2003, no âmbito do atendimento médico, tem como objetivo promover uma melhor assistência e contato entre o profissional da saúde e o paciente, por meio da empatia com as emoções e opiniões do paciente, e não apenas com a patologia apresentada. Entretanto, hodiernamente, a medicina humanizada no Brasil ainda é um desafio, principalmente por causa de fatores como a sobrecarga de trabalho dos profissionais da área e da pressão para ter produtividade no número de atendimentos, assim como o ensino acadêmico tecnicista dos cursos de medicina, que se focam mais na doença do que nos princípios éticos.

Segundo o Sociólogo Byung-Chul Han em seu livro “Sociedade do Desempenho”, os indivíduos e as instituições depositam as expectativas na produtividade excessiva e na realização profissional e financeira. Sendo assim, os conceitos apresentados neste livro se aplicam aos profissionais da saúde no que tange o atendimento apressado e diagnóstico rápido, além da alta carga horária dos médicos, que muitas vezes atuam tanto na rede pública quanto na privada, e possuem pouco descanso. Porém, essas atitudes acarretam no cansaço, estresse e antipatia para com o paciente, que se vê incompreendido e frustrado, podendo ter baixa adesão e confiança no tratamento do profissional, o que é preocupante.

Ademais, é de extrema relevância que seja aplicada a humanização da medicina desde o curso acadêmico, e também que seja ensinada a importância da empatia na relação médico-paciente no tratamento da doença. Contudo, a formação de médicos no Brasil possui uma metodologia tecnicista, ou seja, preocupa-se mais com o diagnóstico e tratamento da enfermidade do que com o paciente, dando mais importância aos princípios éticos que regem a profissão. É evidente então, a necessidade de mudanças dentro dos cursos de medicina do país, para que seja dada a devida ênfase nos preceitos humanos e psicológicos dos doentes.

Portanto, as Universidades devem iniciar fazendo alterações na grade curricular dos cursos de medicina, por meio do aumento da carga horária para disciplinas como ética médica, por exemplo. Além disso, o Ministério da Saúde deve propor maneiras de analisar o desempenho do atendimento médico na rede pública, por meio de pesquisas, com o auxilio do Sistema Único de Saúde, profissionais da área e governos locais. Espera-se, com isso, que as mudanças comecem a acontecer da base e que no futuro, as mudanças possam ser vistas.