A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil
Enviada em 12/10/2019
Na série “Black mirror”, uma personagem decide mudar a realidade em que vive, para isso, se candidata à votação ao senado. De fato, essa atitude remete ao senso comum de que só é possível se manifestar políticamente através das eleições. Nesse sentido, debater sobre a importância da participação política para a efetivação da cidadania é pertinente ao contexto brasileiro. Fica notório que o engajamento político ativo por parte dos cidadãos é fundamental para a consolidação da democracia e a falta de conhecimento dos indivíduos sobre isso torna-se prejudicial a manutenção desse sistema.
A priori, em 1992 a marcha conhecida como “caras pintadas” impulsionou o impeachment do presidente vigente. Nessa lógica, é válido afirmar que mesmo após as eleições, os cidadãos conseguem organizar-se politicamente e mudar não só o cenário em que estão inseridos como a história. Segundo o filosofo Aristóteles, o homem é um animal político, ou seja a vontade de ser atuante na estrutura administrativa pública é inerente a existência humana. Logo, presume-se que a participação ativa na política efetiva a cidadania e pode garantir um clamor popular.
Ademais, para assegurar a constância do regime democrático, o Estado tem que instruir os cidadãos a pensarem criticamente e revindicarem sobre as esferas públicas de poder. Dentre esses efeitos, de acordo com a Constituição Federal de 1988, os residentes no país são livres para manifestações e contestações políticas. Por certo, uma vez que diversos brasileiros não recebem noções básicas sobre a importâncias da participação na vida pública, esse direito não é plenamente garantido. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esse problema e seus efeitos.
Torna-se evidente, portanto, que pensamentos como o da personagem não podem continuar sendo reflexo da sociedade brasileira. Assim, é necessário que o Ministério da Cidadania, com ações do Ministério da Educação, inclua nas escolas aulas sobre política, por meio da Nova Base Comum Curricular, a fim de incentivar os pensamento crítico e o conhecimento dos indivíduos sobre a sociedade a qual estão inseridos. Além disso, os cidadãos precisam engajar-se politicamente, por intermédio da criação de grupos independentes de debate, visando expandir os horizontes e pressionar as estruturas públicas de poder. Enfim, a partir dessas ações os brasileiros poderão gozar plenamente dos direitos a manifestações políticas garantidas pela Carta Magna.