A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 18/09/2019

Segundo Aristóteles, o homem é um animal político, e para que faça bom proveito de sua cidadania, é preciso aliar ética ao engajamento, conceito que denominou “eudaimonia”. Em contraposição ao que foi proposto pelo filósofo, o cenário político brasileiro encontra-se instável, com pouco engajamento civil nas decisões políticas, apesar do direito ao voto ser garantia da Constituição Cidadã. Tal fato está associado à herança histórico-cultural de um regime Oligárquico opressor das escolhas políticas, aliado aos diversos casos de corrupção que compõe o quadro nacional. Logo, é imprescindível que medidas sejam consolidadas para ressaltar a importância da participação política.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que o histórico de concentração de poder, marcado pela repressão do voto popular, culminou no atual cenário de desinteresse político pelos cidadãos. Durante a Velha República, a prática do voto de cabresto tornou-se bastante comum, caracterizada pela compra de votos, curral eleitoral, ameaça e outras medidas que limitavam o exercício de cidadania das classes populares. Logo, tal realidade enraizou, no imaginário popular, uma tendência a não reconhecer a importância que o voto pessoal possui no âmbito nacional, fato que consolida o baixo interesse em engajamento político.

Outrossim, os diversos casos de corrupção, expostos na história da governança brasileira, contribuem para a descrença no processo de mudança através do voto, haja vista o recente caso da condenação do presidente Lula. Contudo, a corrupção no Governo é reflexo da própria realidade dos cidadãos, na qual se naturalizou a cultura do " jeitinho brasileiro", que nada mais são que pequenos atos de corrupção praticados dia-a-dia, porém, classificados como esperteza. Assim, a responsabilidade da população no cenário político deve ser retomada, através de ações que busquem mitigar a corrupção intrínseca no cotidiano brasileiro.

Com base nessa perspectiva, a participação política precisa ser incentivada, através de uma ação conjunta entre Escola e a mídia. Primeiramente, o Ministério da Educação deve promover, nas escolas, palestras e debates acerca da história da política nacional, a fim de aumentar a criticidade e formar cidadãos engajados a fazer uso efetivo do direito ao voto. Somado a isso, a mídia , por meio de ficções engajadas e abordagem do tema corrupção em programas como Fantástico, instigue a população a gradativamente dizimar a naturalização de atitudes corruptas, inclusive no Governo. Assim, a eudaimonia aristotélica será consolidada na esfera nacional brasileira.