A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 06/10/2019

No regime autoritário militar do séc XX, a supressão dos direitos de envolvimento dos indivíduos nas decisões do Estado acarretou graves prejuízos ao bem-estar da sociedade. De maneira similar, nota-se que, hodiernamente, a deficiente participação política dos brasileiros compromete o exercício da cidadania, já que ocorre o afastamento da população de sua função de pressionar o Poder Público para garantir as necessidades da comunidade. Assim, cabe a análise acerca dos principais desafios ligados a problemática, com destaque ao desincentivo escolar e ao individualismo exacerbado.

A priori, é válido reconhecer a ausência de estímulo das instituições de ensino para validar a prática da cidadania como um dos obstáculos frente ao impasse. Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, o âmbito educacional possui o papel de internalizar nos indivíduos valores que visem ao bem-estar social. Nesse contexto, a presença precária, nas escolas brasileiras, de debates políticos e de informações motivadoras da fiscalização da atividade governamental confronta a concepção de Durkheim, uma vez que tal cenário compromete a transmissão de crenças aos futuros responsáveis pela administração do espaço comunitário. Dessa forma, torna-se fundamental assegurar o cumprimento da responsabilidade do meio educativo do País para efetuar o preparo à atuação política.

Além disso, a influência excessiva da visão individualista sobre os modos de melhoria da sociedade

também pode ser apontada como desafio perante a problemática. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a facilidade de consumo no mundo contemporâneo provocou o estabelecimento do sentimento individualista e imediatista nas relações sociais. Nessa perspectiva, a necessidade de participação coletiva no Estado e a indispensabilidade de ações a longo prazo vão de encontro às tendências observadas por Bauman, o que dá margem à indiferença dos brasileiros quanto às violações das propostas voltadas ao atendimento de suas carências e de suas reivindicações. Desse modo, nota-se a nocividade da conduta das pessoas do País ao permitirem a depreciação da atividade cidadã.

Fica evidente, portanto, que são necessárias medidas para possibilitar a  efetivação do envolvimento político e da prática da cidadania no Brasil. Logo, é mister que o Ministério da Educação promova a circulação de informações nas escolas acerca da gestão governamental, mediante matérias em sua grade curricular  que objetivem o estabelecimento de debates entre esse grupo e representantes do Governo. Outrossim, o Poder Público, como instituição responsável pela execução democrática de ações estatais, deve, junto ao âmbito midiático, desconstruir o individualismo excessivo e o menosprezo pela coletividade, por meio de campanhas publicitárias que visem demonstrar à população a importância e os benefícios de atuar em favor da melhoria do espaço comunitário.