A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil
Enviada em 03/10/2019
A Democracia Corinthiana foi um movimento que surgiu na década de 1980 no time de futebol brasileiro Corinthians. De 1981 a 1985, tudo era decidido no voto - das contratações ao local de concentração - servindo como crítica ao período vigente: a ditadura militar brasileira. Evidencia-se, nesse sentido, a falta de participação política nas relações democráticas como forte entrave para o progresso geral da nação, pois, fundamentalmente, ela permite que as pessoas falem o que pensam e formem - com liberdade de análise - seu argumentos, suas opiniões e coloquem em prática a cidadania. Nesse viés, convém analisar como o desinteresse político, aliado ao caráter individualista dos políticos, inviabiliza o progresso atribuído a atividade política no Brasil.
É relevante enfatizar, a princípio, que a faltar do exercício político é fruto do ineficiente diálogo, muitas vezes manifestado pelas escolas. Isso porque o estudo do patrimônio cultural é essencial para a construção da cidadania, que na concepção do sociólogo alemão, Max Weber, para compreender tal perspectiva, é inevitável viver inserido nela dia após dia. Entretanto, ainda existem escolas que as aulas de história se resumem a copiar da lousa - de forma mecânica - fatos e acontecimentos do passado, unicamente, a fim de serem cobrados em uma prova objetiva no final do bimestre. Ora, se não é possível estabelecer um contato entre os alunos - que faça clara a origem de intensa manifestação de seus antepassados na conquista por democracia -, o desinteresse político alcança um patamar cada vez mais elevado.
Atrelado a isso, é imperioso salientar que o caráter individualista dos políticos é fundamento da problemática. Isso decorre do contexto da Primeira República brasileira, quando, à época, a democracia era caracterizada por muitas fraldes e coercitividade, segundo a qual o processo eleitoral era o produto de uma oligarquia regional, haja vista que os eleitores eram coagidos a votar no candidato escolhido pelo coronel - donos das sessões eleitorais. Tal fato revela a natureza paradoxal da democracia brasileira, desde muito nova, uma vez que esse “voto de cabresto” era a forma com essa parcela minoritária encontrava “para inglês ver”, ou seja, para transparecer uma imagem de avanço político e, ainda assim, conquistar seus interesses particulares. Hodiernamente, esse caráter hobbesiano se assegura na política brasileira que, associado ao desinteresse político, leva a população a se sentir indispensável em relação à conjuntura democrática, não tendo mais razão para ir à rua em defesa de seus direitos, pois a consciência que resta é a que nada irá mudar.