A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil
Enviada em 29/10/2019
As raízes da democracia são datadas desde a Grécia Antiga, em que os cidadãos de Atenas se mantinham ativos na participação política da “Pólis” (cidade), frequentando e debatendo questões políticas em reuniões. Em contrapartida, atualmente, o ditado popular “três coisas que não se discutem: política, religião e futebol” é cada vez mais recorrente na voz dos brasileiros. Logo, a falta de troca de informações entre os indivíduos - também escassa no ambiente escolar - aliada ao alto índice de analfabetismo no Brasil distanciam a população dos primeiros passos para o exercício da cidadania. Um dos fatores mais recentes que comprova a falta de participação dos brasileiros é a soma das taxas de votos brancos, nulos e abstidos na eleição de 2018, sendo ela maior que 30%, segundo o TSE - Tribunal Superior Eleitoral. Logo, o percentual evidencia uma não identificação com os candidatos por parte desses eleitores e a falta de representatividade aliada a desinformação colocam a educação em questão a respeito da temática.
Consoante ao alto índice de votos sem representante, os dados de analfabetismo também são alarmantes. De acordo com a PNAD - Pesquisa Nacional por amostra de Domicílio ainda existe um alto déficit no cumprimento do Plano de Lei que deveria ter elevado a taxa de alfabetização em mais de 90% até 2015. Ademais, um dos destaques do governo de Jair Bolsonaro é o projeto das “Escolas Sem Partido”, que acaba restringindo temas essenciais para formação do ser (como a sexualidade e a diversidade de linhas de pensamento) partindo de uma educação democrática e libertárea.
Levando em conta o que foi mencionado, cabe aos estados e municípios promoverem, principalmente, investimentos estruturais em escolas do currículo básico, aumentando a inclusão e também a população alfabetizada. Além disso, fica sob responsabilidade do Ministério de Educação a criação de estratégias que incentivem o protagonismo dos estudantes, partindo de debates dentro da sala de aula e trabalhos em grupos compartilhados com as comunidades locais. Dessa forma, a causa se estenderá para fora dos muros da Escola, permitindo maior atuação social e exercício da cidadania por parte dos civis brasileiros, os aproximando - enfim - dos antigos cidadãos gregos.