A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil
Enviada em 02/11/2019
Na Antiga Atenas, berço da democracia,os que eram considerados cidadãos tinham a obrigação de participar da discussão política.Em paralelo,no Brasil hodierno, o voto é obrigatório para maiores de 18 anos,todavia,existem outros mecanismos que impedem a verdadeira participação política dos indivíduos.Assim,seja pela desigualdade social , seja por uma cultura que não valoriza o diálogo, o Brasil se distanciou da mentalidade dos gregos da península do Ático.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a marginalização de uma parte do coletivo se relaciona com o exíguo poder de opinião desses nas demandas e percursos necessários à cidadania.Por esse viés, o filósofo contemporâneo Habermas, em sua teoria da " Ação Comunicativa",disserta que a democracia só acontece de fato quando todos os envolvidos conseguem ter voz e serem ouvidos, bem como o completo entedimento dos assuntos abordados nesse âmbito. Contudo,a desproporção de acesso ao conhecimento e a informação é inegável, sendo que , consequentemente, o povo é alienado e manipulado em benefício do interesse de algumas empresas, ou grupos específicos da sociedade, afinal ,nesses certames é impossível participar do jogo democrático sem conhecer do que está falando.
Além disso, a cultura fechada à diversidade de ideias colabora com o revés.Nesse sentido,de acordo com o sociólogo Sergio Buarque de Holanda, o brasileiro pela forma que se constituiu nessa esfera de jogos de poder, tem uma imensa dificuldade de separar o público do privado. Isso se exemplifica no viés determinista, na cabeça da maioria, de que não exista uma forma de colocar os interesses públicos sobre os privados .Logo, o indivíduo cree que a discussão seja apenas mera formalidade, e,isto posto, o representante do povo que conseguir ter melhores características de cunho pessoal privado - impor sua voz ,conquistar carisma e não ter fortes divergências de ideais frente a seus eleitores é o merecedor da confiança do destino do país.
Em suma, é inevitável associar que a carência de ação política do povo tupiniquim advém da divisão excludente da população e de uma cultura desinteressada no bem comum.Dessa maneira, o Governo Federal deve promover uma forte campanha publicitária, na televisão e nas mídias sociais, alertando a população da importância da atuação política e sua relação com a cidadania, por meio de exemplos de cunho político e informação de índole crítica , a fim de que se informe adequedamente o grupo de indivíduos antes marginilizados, e esses marquem presença concreta na discussão.Ademais,o Ministério da Educação precisa possibilitar debates nas escolas junto com as instituições comunitárias, sobre como identificar,compreender e criticar projetos de representantes do povo.Só assim, o dialógo nos moldes de Habermas será concluído.