A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil
Enviada em 14/11/2019
A Constituição Federal de 1998 foi um marco na garantia dos direitos civis, políticos e sociais, fortaleceu a relação entre Estado e indivíduos, por isso, a participação da população em questões de âmbito político é fundamental para a construção de uma vida mais justa e igualitária para todos. Entretanto, verifica-se no país uma ausência de atuação de grande parte da população em tais questões. Essa situação ocorre devido a falta de patriotismo e do produto da inconsistência ativista.
Convém, ressaltar a princípio, que o descaso do Poder público é um dos principais causadores desse imbróglio. Isso ocorre devido a baixa atuação desse setor no que concerne à criação de mecanismos no qual promovam um maior conhecimento,seja pelos meios de comunicação ou na educação, resultando assim em uma grande desmotivação política para a maioria dos indivíduos. Como prova disso, 7,8% dos brasileiros não tem nenhum conhecimento sobre constituição e outros 35,1% declaram ter baixo conhecimento sobre ela, segundo o Portal Institucional do Senado Federal (Datasenado). Dessa forma, o desconhecimento das pessoas em relação a sua importância social e política leva a um prejuízo em toda a sociedade.
Paralelo a isso, o enfraquecido nacionalismo é responsável pelo escasso engajamento de grande parte dos cidadãos. Nesse sentido, conforme defende o sociólogo Paulo Freire, o ensino brasileiro falha na ampliação da criticidade sociopolítica das pessoas, o que colabora para que muitas delas sintam-se impotentes para lutar contra adversidades ao bem-estar social. Assim, diferentemente da geração ativista de 19968, que nos movimentos estudantis, reclamou cidadania e equidade, a de hoje aliena-se da política, excluindo-se do combate à desigualdade, à ineficiência da maquina pública e a à corrupção sistêmica. Dessa forma, tal indiferença permite a banalização de graves problemas, como os supracitados, o que deve ser evitado.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Cabe ao Estado, em parceira com o Ministério da Educação, por meio da alteração na lei de diretrizes e bases escolares, inserir na grade curricular estudos antropológicos, debates e disciplinas curriculares a respeito dos direitos e deveres dos cidadãos, a qual permitirá um suporte de ensino sobre a importância de exercer a cidadania, a fim de contribuir de forma isonômica formando uma sociedade crítica e responsável, além de favorecer na formação de pessoas mais atentas aos problemas econômicos, políticos e sociais. Só assim o Brasil terá uma sociedade mais participativa.