A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 02/05/2020

A Ágora era um espaço público onde as pessoas da cidade de Atenas, na Grécia antiga, iam e participavam das importantes decisões políticas da cidade. Nesse contexto, mesmo que a participação política era limitada a muitos cidadãos, a sua efetivação era importante para a consolidação da cidadania, o que não acontece  no Brasil. Tal problemática está interpenetrada na falta de representatividade política e a na falta de conhecimento.

Constata-se, a princípio, que a falta de representatividade política perpetua a não participação social para a efetivação da cidadania. Com o fim da Ditadura Militar no Brasil , que colocava abaixo a democracia, a liberdade de expressão e a consolidação dos direitos dos cidadãos, a Constituição Federal de 1988 trouxe as eleições democráticas, as quais os civis escolhiam um representante que exerceria a vontade do povo. No entanto, com a falha em cumprir o que lhe são demandados, substancial parcela da sociedade não se sente representada, como as minorias sociais, o que, posteriormente, contribui para o desalento do povo tupiniquim na tentativa de concretizar a cidadania.

Outrossim, somado ao supracitado, a falta de conhecimento potencializa para que muitos cidadãos não entenda a importância da efetivação da cidadania pelo engajamento político. Isso ocorre por que, como afirma a teórica Vera Maria Candau, o sistema educacional está preso a moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas. Nesse sentido, com o grande papel que a política tem sobre a vida dos milhares dos brasileiros, as escolas, que guia e auxilia na formação de cidadãos do bem, não consegue atender às inquietudes políticas, seja por meio de aulas específicas, ou palestras sobre o quanto é essencial a participação social de todos. Desse modo, a cidadania, importantíssima para o bem estar social de todos, é negligenciada pela própria população.

Nessa perspectiva, portanto, é mister que haja medidas para obliterar os problemas que permeiam a efetivação da participação política para melhor exercício da cidadania. Para isso, cabe ao Ministério da Justiça e o Poder Judiciário atuar como fiscalizador das propostas impostas pelos representantes das instituições executivas, mediante um portal online em que a população irá discutir a atuação dos governantes em cada cidade, com o intuito de que a população se sinta representada. Ademais, o Ministério da Educação deve, por fim, reformar o sistema educacional, por intermédio de investimentos que serão centrados na contratação de sociólogos e professores específicos no estudo da Constituição Federal, os quais irão discutir os deveres e os direitos da população brasileira, a fim de que a falta de conhecimento não seja uma barreira para a efetivação da cidadania. Feito isso, garantir-se-á que a população veja a necessidade da participação política, como na Ágora da Grécia Antiga.