A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil
Enviada em 22/05/2020
A cultura grega antiga caracteriza um sujeito que possui cidadania como aquele com poder político, que se dedica ao debate público e a tomada de decisões coletivas. Nas democracias atuais, como é o caso do Brasil, diversas conquistas foram obtidas e o poder político é mais isonômico do que era na ágora de Atenas, não se restringindo apenas aos donos de terras. Porém, a participação do cidadão é necessária para que isso se concretize e não se tenha apenas uma ilusão de que o povo consegue influenciar os rumos da sociedade em que vive.
Do ponto de vista cotidiano, não são incomuns tentativas individuais que são frustradas porque a efetividade depende de um debate e uma ação coletiva das pessoas que vivem na região. Focos de dengue dificilmente são eliminados se a população local agir de forma isolada, pois é necessário apenas uma pessoa não se atentar ao problema para que o vetor da doença consiga se disseminar. Se existe um buraco na rua, a pressão para que a prefeitura resolva o problema será tão maior quanto maior for o número de pessoas que se indignem com a situação. A reunião local para conversar sobre essas questões torna-se portanto essencial.
Já na esfera dos estados ou de um país, em que a palavra política é mais frequentemente associada, a falta de debate da população sobre temas complexos, como economia e legislação, a torna influenciável por propagandas e campanhas eleitorais. Diante dessa situação, mesmo com o direito ao voto, o poder será apenas daqueles com os meios de convencimento e de influência. Esse fato é evidenciado na grande importância que os regimes ditatoriais dão para a propaganda política ao longo da história e na lenta renovação política que acontece em muito países democráticos, incluindo o Brasil.
Sendo assim, a cidadania só se manifesta de forma plena quando existe a participação política. A escola é fundamental para ampliar essa cultura na população brasileira, já que é uma das primeiras experiências coletivas que as crianças e adolescentes estão sujeitos. Cabe ao governo criar incentivos para as escolas realizarem debates entre os estudantes, onde decidirão sobre questão pertinentes ao ambiente em vivem, como o cuidado do espaço público ou até a realização de melhorias na própria instituição de ensino. Os incentivos podem ser bônus como já é feito em alguns estados de acordo com o desempenho nas provas nacionais. Por fim, apesar de caber ao governo, já é um exemplo de cidadania quando os adultos de hoje pedem do governo mudanças na educação.