A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil
Enviada em 28/05/2020
No programa de comédia “Tô de Graça”, é retratada com bastante frequência críticas ao governo brasileiro, utilizando-se do humor. Em um de seus episódios, a personagem Graça - matriarca - ao saber que seu filho vai trabalhar com políticos - ajoelha-se decepcionada. Fora das telas, infelizmente, essa cena é atualizada, retratando a percepção familiar para administração pública brasileira, distanciando os jovens cada vez mais, principalmente pela falta de credibilidade quanto pela abstenção dos institutos educacionais, contribuindo para esse posicionamento juvenil.
Em primeiro lugar, urge analisar o preconceito formado na sociedade diante da máquina administrativa do país, fruto de escândalos, descalabros administrativos, máquinas burocráticas emperradas, partidos sem identificação popular que constituem, entre outros, fatores que afastam a juventude do processo político. Segundo o Jornal Nacional, na última eleição presidencial, os brasileiros entre 16 e 24 anos formaram um contingente de mais de 5 milhões de eleitores, evidenciando a importância desse público. Com efeito, apesar de não terem atingido seu poder máximo, devido fatores negativos como o de confiança governamental - os jovens com voto facultativo preferem abdicar desse potencial ato de cidadania.
Além disso, a ausência de um projeto na educação com teor voltado ao nicho de formação e desenvolvimento de caráter, em especial, na básica - é um forte fator da problemática abordada anteriormente. De acordo com o pedagogista Paulo Freire, a educação sozinha não transforma uma sociedade, tampouco sem ela há mudança. Nessa perspectiva, percebe-se a ausência de uma disciplina como Ciência Política impacta diretamente na formação cidadã do indivíduo, uma vez que poderia usar as informações obtidas para exercer cidadania, ademais, instigaria os jovens a participar da vida pública, devido ao conhecimento prévio adquirido nos Institutos Educacionais.
Portanto, é mister que o Estado tome providência para superar esse quadro atual. Para a conscientização da população jovem brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, a disciplina de Análise Política na grade curricular da educação básica, que seria dividida em duas faces - teórica e prática - sendo a prática (simulações das aulas teóricas, como formação do plenário), na qual teria um peso na nota do aluno para instigar a participação. Somente assim, será possível combater a passividade construída pela sociedade mediante a corrupção, e as novas mães, como “Graça”, entenderão que seus filhos são e serão o esteio da transformação social brasileira.