A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil
Enviada em 30/05/2020
Na Grécia Antiga, a “Ágora” constituiu um conjunto de espaços públicos voltado para debates entre os cidadãos atenienses. De maneira análoga à contemporaneidade, os mecanismos que contribuem com a participação popular encontram-se em constante transformação, de modo a torná-los cada vez mais adequados ao contexto vigente. No entanto, há impasses para a efetivação da cidadania no Brasil a partir da inserção política, ora pela negligência do setor educacional, ora pela ausência do pleno acesso à informação, o que torna mister expor e viabilizar medidas para mitigá-los.
Em primeiro plano, é imperativo pontuar que a educação possui papel essencial na formação do indivíduo. Sob esse viés, a atuação das instituições de ensino, desde a base, é indispensável no que tange à promoção da valorização e do estímulo ao desenvolvimento da criticidade, o que é fundamental para a participação política. Tal fenômeno pode ser observado à luz do sociólogo alemão Max Weber, que trata os atos de conduta dos cidadãos mediante estímulos do contexto em que estão inseridos. Dessa forma, constata-se a importância em auxiliar, de maneira contínua, os discentes nas descobertas de seus direitos e deveres.
Outrossim, é válido averiguar que a desigualdade socioeconômica constitui um impasse para a participação política, bem como para a efetivação da cidadania no Brasil. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a informação é um direito inalienável a todos os cidadãos, o que torna dever do Estado prezar por esse. Contudo, tal preceito legislativo faz-se pouco eficaz em metodologias práticas, uma vez que mais de 50% da população brasileira não está inserida nas tecnologias digitais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Logo, a má performance do país em inclusão informacional agrava o cenário de desinformação e desinteresse sociopolítico.
Em síntese, a observação crítica dos fatos sociais, reflete a urgência de ações socioeducativas para aplacar esse quadro caótico. Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC),por meio de verbas públicas, inserir uma disciplina específica voltada para as Ciências Políticas na grade curricular das escolas, ministrada por profissionais da área, a partir de aulas, distribuição de materiais informativos e debates, a fim de promover a criticidade cidadã e a consciência acerca dos direitos e deveres. Ademais, o Governo Federal deve, mediante parcerias com prefeituras de municípios carentes, investir em um projeto de redistribuição do acesso às tecnologias digitais, com o fito de garantir o acesso à informação para todos. Assim, será possível conduzir uma verdadeira participação política, assim como uma plena execução da cidadania no Brasil.