A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 17/06/2020

A democracia teve seu início na Grécia Antiga, em virtude dos debates políticos realizados em Atenas. Com a participação do povo nas decisões governamentais, o registro da interação do poder público com os cidadãos evidenciou a importância para uma sociedade mais organizada. Similarmente, esse processo chegou ao Brasil, contudo, os participantes da chamada “política” têm direito a voz com o voto. Dessa forma, para que seja possível uma nação com maior igualdade, é imprescindível a participação da população afim de que seja efetivado o conceito de cidadania. Entretanto, com a baixa representatividade de grupos vulneráveis no Governo e o escasso reconhecimento dos movimentos sociais nas relações política-institucionais, a utopia de uma condição de cidadão ser unânime continuará na imaginação.

Como supracitado, a atividade civil é caracterizada pela possibilidade de escolher os representantes. Nesse contexto, a diferença social já é iniciada, uma vez que, com o direito ao voto na constituição de 1824, as mulheres só foram capazes de usufruir dessa ação em 1934. Com essa herança, o sufrágio universal não é uma realidade, visto que, conforme a ONU, somente 15% da chapa é feminina, sem considerar que esse número cai para 4% quando se analisa a população negra envolvida. Dessa forma, a ausência de identificação, faz com que os grupos minoritários, socialmente, percam a credibilidade e esperança na participação política, cuja consequência é uma menor efetividade do processo.

Outrossim, é de exímia relevância os movimentos sociais para que haja uma sociedade transformada e revolucionária, a qual corresponda às necessidades de seu povo. Todavia, o cenário brasileiro é de ridicularização aos apoiadores de causa sociais por meio das instituições públicas. Essa circunstância traz consigo traços da Ditadura Militar de 1964, por exemplo, em que a população apresenta medo de expressar suas indignações, conforme um recente caso, noticiado pelo UOL, em que um menino negro foi assassinado por policiais, os quais não foram punidos e ainda pressionaram, com o auxílio do silêncio governamental, os que lutavam por direitos. Assim sendo, o descaso dos responsáveis pelo poder com movimentos como esse, impossibilita o direito de “ser cidadão”.

Nessa conjuntura, medidas são necessárias para amenizar o impasse. No entanto, só haverá melhoras caso o Ministério da Educação promover simulações eleitorais na escolas públicas e privadas por meio de um programa institucional, com o intuito de demonstrar as desigualdades e conscientizar os mais novos, os moldando para modificar o futuro eleitorado. Ademais, a Secretaria da Cultura, juntamente da mídia, deve divulgar e incentivar as lutas sociais, mediante de convites aos líderes para que possam dar forças ao ato e inserir os excluídos da sociedade como essenciais na cidadania.