A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil
Enviada em 27/06/2020
De acordo com a Constituição Federal, a soberania popular deve ser exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, o que evidencia a importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil. Todavia, tal perspectiva não ocorre de forma plena, pois a baixa participação das escolas na formação cidadã dos indivíduos, somada à desconfiança populacional a respeito das entidades públicas limitam a atividade política e a necessária fixação da cidadania no âmbito nacional.
A priori, é importante destacar que o papel das escolas na formação de cidadãos críticos não é cumprido de maneira integral. É sob esse prisma que projetos como o ‘‘Escola Sem Partido’’, criado em 2004, visam limitar a contribuição das instituições escolares na formação de indivíduos aptos ao exercício pleno da cidadania. Tal posicionamento é reflexo direto da mentalidade compartilhada por significativa parcela da população, o que atrapalha o estabelecimento integral da participação política entre os futuros cidadãos na medida em que pais ou professores buscam limitar a atuação das escolas na formação da criticidade.
Ademais, a desconfiança da população em relação à classe política e instituições públicas é evidente. Tal fato tornou-se notório a partir da criação, em 2014, da Operação Lava Jato, a qual expôs inúmeros casos de corrupção ao redor do país. Desde então, foi possível verificar uma acentuada redução da participação política no âmbito eleitoral: nas eleições presidenciais de 2018, os votos nulos chegaram a 7,4% do total no segundo turno, um aumento de 60% em relação ao pleito de 2014. Dessa maneira, é criado um perigoso ciclo na política brasileira , pois, de acordo com Platão, ‘‘o preço que o indivíduo paga por não se envolver com política é ser governado pelos mal-intencionados.’’ Sendo assim, é lógico inferir a necessidade de alterar tal cenário.
Portanto, demonstra-se a relevância do debate acerca da temática em questão, que carece de soluções. Logo, a fim de estimular a formação de indivíduos aptos ao exercício da cidadania, mediante a necessária participação política, urge que as escolas realizem palestras e seminários, no campo das Ciências Humanas, voltados ao fomento do pensamento crítico acerca da realidade social e política do Brasil. Tais iniciativas devem ocorrer por meio de parcerias com psicólogos e especialistas das áreas de Filosofia, Sociologia e História, tendo em vista a necessidade do vínculo pedagógico entre as disciplinas escolares e o aprendizado crítico no intelecto dos alunos. Outrossim, cabe à sociedade a adoção de comportamentos que estimulem a participação política em larga escala, como a utilização de aplicativos que permitam a fiscalização das atividades exercidas pelas entidades públicas. Dessa forma, tornar-se-á possível efetivar os elementos supracitados pela Carta Magna.