A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 14/07/2020

Na obra “Cidadania, Classe Social e Status”, o sociólogo Thomas Marshall divide a cidadania em três diferentes dimensões: a civil, a política e a social. Nesse sentido, fica evidente que a participação política é intrínseca à cidadania. Contudo, observa-se no Brasil uma carência nessa área, o que é um problema, afetando a democracia, causado pela falta de informação.

A priori, o documentário “Boca da Urna” relata o pensamento das pessoas em relação à política e ao voto, assim, observa- se uma descrença por parte da população, gerando um grande desinteresse na participação da mesma. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), São José dos Campos, por exemplo, teve 7.594 documentos cancelados em 2017, quase 70% a mais do que em 2005. Portanto, esse comportamento traz consequências negativas para a democracia, pois cria um distanciamento entre os governantes e governados, que muitas vezes sem cobrança, agem de acordo com seus próprios interesses e não o do povo.

Outrossim, esse apolitismo, indiferença as questões políticas, advém da falta de abordagem, principalmente nas instituições de ensino. Deste modo, parafraseando Émile Durkheim, sociólogo, a escola é responsável por introjetar no indivíduo as normas sociais, legais e de comportamento que ele deve levar para o resto da vida, preparando- o, então, para as duas etapas sociais seguintes, o trabalho e o Estado. Logo, é importante que as escolas mostrem a importância da participação política para a efetivação da cidadania.

Em suma, o desapegamento em relação apolítica no Brasil é evidente e precisa de intervenções. Desse modo, é mister que o Ministério da Educação, por meio do currículo escolar, insira a disciplina Cidadania e Participação Política que abordará: o que é política, sua importância, como poderá ser efetivada, consequências para a sociedade e os benefícios de ser um bom cidadão, para que reduza a ignorância acerca do tema e introduza cada vez mais indivíduos politizados. Ademais, é preciso que o Ministério da Justiça, por meio de aplicativos, crie métodos que facilitem o obtenção de informações para diminuir o distanciamento dos governantes, para que a população cobre-os mais, ajudando na fiscalização e reduzindo a corrupção. Então, a cidadania será efetivada, como descrito por Thomas Marshall.