A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil
Enviada em 28/07/2020
Os gregos, precursores dos conceitos da política, tinham um provérbio que representava a essência da função do povo face a tal sistema: A vóz do povo é a vóz de Deus, ou, em latim, Vox Populi Vox Deux. O Brasil, comparando analogicamente com as fases da vida, está entre a adolescência e a vida adulta no que se refere ao exercício efetivo da política. Apesar de estar em pleno gozo de uma democracia saudável, a nação ainda sofre os efeitos da série de gerações que tiveram pouquíssimo ou nenhum contato, em caráter didático, com tal assunto, e, por conseguinte, não desenvolveram senso crítico para exercer eficientemente seu poder de eleitor e, principalmente, o de vigilante das ações dos que conduziram o país até o corrente ponto da história.
O historiador britânico Arnold Toynbee em “Um Estudo da História”, discorre sobre o nascimento, crescimento e queda das civilizações e afirmou que o maior castigo para quem não se interessa por política é ser governado pelos que se interessam. Se tratando de Brasil, a máxima de Toynbee corrobora com o conhecido, porém, trágico, hábito que vários representantes eleitos pelo povo tiveram, o de saciar apenas seus interesses pessoais ao invés de trabalhar em prol da sociedade.
Evidenciando os efeitos de tal descalabro, pode-se citar a Operação Lava-Jato, liderada pelo Promotor de Justiça Deltan Dalagnol, responsável por expor todo um sistema de corrupção organizada entre políticos de alto nível hierárquico e grandes empresas. Para Dalagnol, só foi possível continuar com a operação devido pressão popular exercida pelos cidadãos por meio de manifestações públicas nas ruas e redes sociais, pois com isso representantes do povo, diferentemente do que ocorrera no passado, tenderam a agir em prol dos seus eleitores e não mais em beneficio próprio.
Reforçando a tese do promotor, temos também o caso da atualmente deputada, mas que à época não ocupava cargo público, Janaína Paschoal, que fora a responsável pelo pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Roussef por improbidade administrativa. Tal ato chamou a atenção por mostrar que o poder do cidadão não se limita ao voto, mas também ao de vigilante, aos quais todo político é submetido. Segundo Paschoal, se nossa base educacional tivesse, desde sempre, uma carga disciplinar relacionada a política, devidamente fundamentada e sem viés ideológico, escândalos de má administração, corrupção e impeachments, diferentemente do que atualmente ocorre, seriam raros.
Portanto, é mister que o Ministério da Educação, agora que já não há mais como ignorar a vontade popular, insira, ainda dentro do mandato atual, disciplina relacionada a política, deste sua concepção histórica, outras políticas existentes no mundo, características destas, e, mais importante, usar a história recente para demonstrar como os erros do passado influenciaram no cenário atual.