A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 27/10/2020

O filósofo Aristóteles defende que a ciência mais predominante sobre tudo é a política e, que a sua finalidade deve ser o bem do homem. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário, quanto à questão da participação política dos cidadãos. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do desinteresse e da falta de representatividade dos jovens na política.

Em primeira análise, é preciso atentar para o desinteresse presente na questão. Nessa perspectiva, a obra literária “A Rainha Vermelha”, de Victoria Aveyard, apresenta uma situação em que a personagem principal se encontra no meio de uma revolução a favor da transição do sistema monárquico para o republicano, e após considerar as opções, ela se posiciona politicamente. Esse fenômeno se destoa totalmente da realidade, na qual observa-se que por falta de conhecimento básico sobre política e suas vertentes, dúvidas e opiniões não são geradas nos adolescentes, o que contribui para o “adormecimento” de jovens mais críticos e que expressem suas crenças no que é melhor para eles e para o país.

Além disso, a falta de cidadania no Brasil encontra terra fértil na carência de representatividade dos jovens na política. No Brasil, de 40% dos eleitores que estão entre 19 e 35 anos, apenas 3% se encontra no Congresso Nacional, de acordo com dados da Campanha por um Plebiscito Constituinte para a Reforma Política. Desse modo, é indiscutível que este fato é consequência do pequeno espaço de fala que as instituições de ensino cedem aos seus alunos, o que faz com que eles se sintam cada vez menos motivados a exercer papéis de representação de um grupo.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação deve desenvolver uma grade curricular de educação política para todas as instituições de ensino do país, na qual elementos da democracia e cidadania são analisados e discutidos, despertando o interesse nos alunos. Uma solução mais acessível para a questão da representatividade é a criação de grêmios estudantis nas escolas, que podem ser orientados pela diretoria e por professores de sociologia. Com isso, os jovens terão contato contato com a democracia desde cedo, vão aprender a votar de acordo com seus interesses e os alunos eleitos terão a chance de representar os colegas.