A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 27/10/2020

Na Grécia Antiga, berço da democracia ateniense, era comum a participação do povo nas decisões para o governo de Atenas, visto que existia um canal evidente entre o poder público e os cidadãos. Hodiernamente, no Brasil, a participação popular na política é efetivada de várias formas, principalmente, por meio do voto. Entretanto, sem a representatividade de grupos vulneráveis e a falta de reconhecimento de movimentos sociais nas relações política-institucionais não há plena efetivação da cidadania. Antes de tudo, é necessário pontuar que, a representatividade política é a base do sistema democrático, já que constituí o direito do sufrágio, o de votar e ser votado. De fato, há grupos sociais excluídos, tais como: mulheres, negros e homossexuais, os quais são minorias, porquanto faltam-lhe representantes que gozam de poderes a fim de defenderem suas causas. Uma vez que, dados da ONU (Organização das Nações Unidas) indicam que o Brasil tem apenas 15% de participação feminina na política e essa porcentagem decai quando se trata de pessoas negras ou homoafetivas. Diante disso, pode-se gerar um sentimento de não pertencimento, e consequente, a diminuição de engajamento da população na política, além de algumas classes sociais serem privilégiadas em detrimento de outras, ferindo o preceito da equidade. Ademais, os movimentos sociais constituem uma forma de participação política extremamente transformadora e revolucionária, quando justos, porém são vistos de modo pejorativo tanto no meio social quanto no institucional. Isso decorre, de um contexto histórico marcado por retaliações, como por exemplo, na República Velha e na Ditadura Militar de 1984. Todavia, é preciso reconhecer e apoiar tais movimentos como legítimos, pois é a partir deles que há possibilidade de mudanças, tal como foi no Diretas Já de 1984, o qual representou o estopim para a retomada das eleições. Se assim não for feito, os brasileiros podem ficar temerários ao exigir seus direitos e essa atitude descaracteriza um cidadão. Destarte, para a efetivação da cidadania é importante haver representatividade de minorias e a ressignificação dos movimentos sociais, como formas também de participação política, além do voto. Em razão disso, o Ministério da Educação deve promover simulações de eleições nas escolas brasileiras, públicas e privadas, através de um programa institucional, semelhante a feira de ciências, mas com o tema de ciências políticas, com o intuito de ensinar e conscientizar os jovens sobre questões partidárias de modo lúdico. Em adição, as mídias, televisão, rádios etc., podem divulgar e informar sobre os atuais movimentos sociais, convidando os seus líderes para falar sobre seus objetivos, e desse modo, reduzir a impressão atual de despreciamento sobre eles.