A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 11/03/2021

Em meados do século VI a.C, em Atenas, o exercício da cidadania era restrito para os filhos de pais atenienses e com 18 anos de idade, mais conhecidos como os “bem-nascidos”, somente eles detinham o poder de decisões políticas. Partindo desse pressuposto, é notável que, com o tempo, a participação política tem apresentado diferentes aspectos e desafios, inclusive no Brasil, no que tange à prática do voto. Desse modo, para que ocorra a efetivação da cidadania no país, é fundamental analisar o papel das escolas nesse contexto, assim como reconhecer as novas formas de manifestações sociais.

A princípio, baseado em sua filosofia, Friedrich Nietzsche defendia que o papel do educador era levar seus alunos a pensarem por si próprios e não a somente reproduzir opiniões formadas. Seguindo essa linha de raciocínio, pode-se afirmar que a atuação da escola é indispensável para a valorização e estímulo ao desenvolvimento do sujeito crítico e pensante. Nesse sentido, auxiliar progressivamente os discentes no conhecimento dos seus direitos e deveres na sociedade é uma atitude que precisa ser priorizada pelos docentes brasileiros.

Outrossim, de acordo com Rui Barbosa “quem não luta pelos seus direitos, não é digno deles”. Alusivo a isso, na década de 80, o movimento “Diretas Já”, por meio de protestos que mobilizaram o país, contribuiu para o retorno das eleições diretas em detrimento do regime ditatorial. A partir dessa análise, vê-se que, hodiernamente, a participação política, aliada ao exercício da cidadania, tem ganhado novas proporções e meios de propagação. Nessa perspectiva, com o advento da internet, percebe-se que as redes sociais, blogs e sites de informação têm atuado demasiadamente na formação de opiniões, além de ter tornado os brasileiros mais conscientes do seu real papel nas questões públicas.

Portanto, diante dos argumentos supracitados, medidas são indispensáveis para que haja melhorias no cenário vigente. Para tanto, cabe ao Ministério da educação, juntamente com as instituições de ensino, tornar da política uma ciência a ser estudada, por meio da criação e adição de uma nova disciplina à Matriz Curricular brasileira. Adicionalmente, por intermédio dos professores, faz-se necessário fomentar a participação dos jovens nas questões políticas da sociedade, via atividades extracurriculares, com a finalidade de torná-los, assim como os “bem-nascidos” do séc. VI a.C, em Atenas, sujeitos políticos ativos, que participem incisivamente dos debates sobre os temas que norteiam a nação, ainda que em uma democracia representativa. Certamente, medidas como essas seriam cruciais para tornar do Brasil um país de cidadãos, de fato, políticos.