A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 16/04/2021

Segundo o filósofo Rousseau, a relação entre o desejo particular do indivíduo e a realização de uma vontade geral é a base do contrato social. Nesse sentido, destaca-se a importância da participação política para efetivação da cidadania no Brasil. Entretando, é evidente que o engajamento popular nessa área ainda é precário, tanto pelo preconceito ao tratar sobre o tema, quanto pela falta de comunicação do governo frente a manifestações sociais.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o tabu relacionado à conversa política é responsável pelo desinteresse da população em exercer a sua cidadania. Segundo a filósofa Agnes Heller, acreditar em preconceito é cômodo por proteger indivíduos de conflitos. Analogamente, observa-se que muitas pessoas acreditam ser errado falar sobre política, uma vez que o assunto é conhecido, popularmente, por gerar confrontos ideológicos. Dessa forma, a sociedade evita conversar sobre a temática e, assim, perde a oportunidade de desenvolver a sua cidadania por meio do tão importante diálogo político.

Outrossim, também cabe destacar o descaso do Estado mediante a manifestações políticas como contribuinte para cidadanias deturpadas. Nesse viés, cabe relembrar um conceito importante da neurociência que demonstra a capacidade de um sistema adaptar-se a estímulos repetitivos. Fora das ciências naturais, observa-se um governo que nega resposta às variadas pautas levantadas pela sociedade, entre elas o desejo de mudanças na educação, saúde e segurança. Essa atitude repetitiva gera um sentimento de impotência em diversas pessoas cujas passam a acreditar não possuir nenhuma influência na administração do país. Sendo assim, a sociedade prefere adaptar-se à realidade precária em vez de apropriar-se da sua cidadania como intrumento para mudá-la.

Conclui-se, portando, que medidas são necessárias para assegurar maior engajamento social nas decisões governamentais. As escolas devem, então, estimular a consciência política na formação educacional, mediante palestras periódicas com dinâmicas participativas relacionadas ao assunto, direcionadas ao estudantes do ensino médio, a fim de prepará-los para dialogar o tema sempre que necessário. O Governo Federal deve, ainda, por intermédio dos meios de comunicação - TV, rádio bem como redes sociais - estabelecer uma resposta direta - propostas de intervenção no formato de vídeo, áudio ou texto - a toda manifestação social de âmbito nacional, com o objetivo de criar um diálogo bilateral com a população e evitar que esta sinta-se desamparada. Dessa forma, não só haverá maior interesse na participação política mas também, como idealizou Rousseau, cidadãos efetivados em prol do interesse comum.