A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 24/08/2021

Na Grécia Antiga, era considerado cidadão pessoas que participavam ativamente das decisões políticas, o que revela um caráter de interdependência entre política e cidadania. Essa lógica, sustenta a concepção de democracia, em que a participação do indivíduo nas decisões governamentais o coloca em uma posição de agente responsável pelas transformações sociais, ao passo que, evidencia a importância do exercício da cidadania. Todavia, no Brasil, essa interdependência não é plenamente desenvolvida, sendo resultado da perpetuação de raízes histórico-culturais antidemacráticas e da negligência da educação política nas escolas.

Neste contexto, é válido apontar a persistência de práticas ultrapassadas que contribuem para o enfraquecimento da cidadania. Sobre esse aspecto, no Brasil durante a República Velha os votos dos eleitores eram comprados pelos grandes proprietários de terra que utilizavam sua influêcia econômica para permanecerem no poder. De maneira análoga, infelizmente, a política atual reflete o passado marcado pela manipulação, onde em muitas regiões os eleitores tem o seu poder de escolha influenciado por promessas de satisfação de seus anseios individuais, como empregos, cestas básicas, gás, etc. Dessa forma, o exercício da cidadania é comprometido , uma vez que o voto configura-se como uma das formas de participação social.

Além disso, sabe-se que para exercer a cidadania é necessário conhecer as formas de participação social, bem como, os devidos direitos e deveres que o indivíduo possui, sendo a educação grande aliada nesse processo. Segundo Jean Jacques Rousseau, importante filósofo iluminista, os princípios da cidadania precisam ser ensinados no âmbito escolar, por meio de um viés que associa política e cidadania.  Entretando, lastimavelmente, o que percebe-se é uma sociedade passiva frente as decisões políticas, que desconhecem formas de como podem exercer sua cidadania, sendo consequência da falta de uma educação cidadã como defendido pelo filósofo supracitado.

Sendo assim, é substancial que medidas sejam tomadas para possibilitar a construção de uma sociedade mais democrática. Assim, a Justiça Eleitoral, poderia intensificar a fiscalização da manipulação de votos, por meio de pesquisas com questinários sobre motivos da escolha do candidato, além da apliação de canais de denúncia como o Watsapp, com objetivo de promover uma eleição mais justa. Ademais, o Ministério da Educação, poderia adicionar na grade currícular o ensino político nas escolas, promovendo debates e palestras que abordem sobre as formas de participação social, além de  visitas as Câmeras de Vereadores. Dessa forma, seria possível desenvolver plenamente a cidadania e assim como na Grécia, associar cidadão ao indivíduo politicamente participativo.