A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 19/11/2021

Na Grécia antiga a ágora constituía-se em um local específico de debate colaborativo para solucionar as demandas da sociedade. Para além da antiguidade clássica, tal espaço expressa a importância da participação pública na democracia e na política da cidade. No entanto, os frequentes casos de intolerância frente a preferência ideológica na sociedade brasileira evidenciam que um evento que deveria ser pacifico é, na verdade, um instrumento para promoção do caos, o que representa grave afronta aos preceitos democráticos. Com efeito, há de se deliberar como a intolerância e a patologia social têm influência na questão.

Diante desse cenário, o desrespeito ao posicionamento político diferente é uma das principais causas do problema. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman, na obra “Globalização e as consequências humanas”, disserta que a sociedade caminha para uma desordem a nível mundial, causada, sobretudo, pela falta de controle do Estado. Nessa ótica, os indivíduos distorceram um princípio constitucional tão importante: a liberdade de expressão, haja vista que a intolerância manifestada contra um posicionamento político contrário, foge da esfera do debate e entra na agressão moral, o que representa um retrocesso da democracia. Diante disso, é incoerente que um mecanismo utilizado para solucionar problemas sociais tenha sua real função distorcida.

Ademais, em segundo plano, o caos social figura outro desafio. Acerca disso, o sociólogo francês Émile Durkheim afirma que os fatos sociais podem ser normais ou patológico, na medida em que um fato patológico, em crise, rompe toda a harmonia social. Nesse sentido, a dificuldade de expressão política e ideológica tem refletido um problema social generalizado, sem controle e de difícil combate, visto que todos tem direito à livre expressão de pensamento. Por conseguinte, a falta do limite do que é considerado liberdade e o que é considerado ofensa não é preconizado, o que seria praticamente impossível de implantar diante das tantas formas de ocorrer. Assim, é inaceitável, diante das danosas consequências, que esse cenário se perpetue na democracia brasileira.

Impende, portanto, que a participação política seja pacífica no Brasil. Para tanto, a escola - instituição responsável pela formação cidadã - deve, por meio de “workshops” e palestras, veicular conteúdos capazes de desenvolver a mentalidade social participativa dos estudantes, para que desde o ensino médio se aprenda a conviver com a opinião política diversa. Essa medida terá por finalidade desenvolver um ambiente de debates nos colégios - tal como ocorria na ágora Grega - para que os brasileiros a prendam a ser tolerantes e proativos frente as demandas sociais.