A importância da participação política para a efetivação da cidadania no Brasil

Enviada em 10/02/2022

Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago, ressalta a importância de se ter olhos quando todos os perderam. Revela-se, sob essa óptica um grave problema intrínseco na sociedade que impede o indivíduo de enxergar problemáticas como a importância da participação no Brasil, devido aos fatores históricos e culturais.

Neste contexto, vale recapitular que historicamente ser uma sociedade democrática não é sinônimo de representatividade total. Como por exemplo, a democracia Ateniense, que era censitária, onde só eram considerados cidadãos aqueles que fossem homens livres, filhos de mãe e pai atenienses e maiores de 21 anos. Não distante da realidade ateniense, na constituição brasileira de 1824 proibido o voto de mulheres, pobres, indígenas e negros. As mulheres só adquiriram o direito ao voto em 1932, no governo Vargas. Porém, apenas em 1985 com uma emenda constitucional a Constituição de 1967 é que os analfabetos tiveram direito ao voto. Na época eles representavam três quartos da população segundo o Senso, evidenciando que boa parte da população ficou muito tempo marginalizada das decisões políticas e sem representação heterogenia.

Ademais, a representatividade é importante na sociedade pois o individuo assimila seu lugar nela durante sua formação e vivencia. Isso se evidencia por exemplo com a fala da atriz Whoopi Goldberg que quando era criança se maravilhou ao perceber que uma atriz não representava uma empregada quando viu Uhura em Star Trek. A atriz conta que ali sentiu que poderia se tornar o que quisesse. Sendo assim, para o sociólogo Rodolfo Neves, a não representatividade política das chamadas “minorias” provoca uma espécie de controle elitista visto que esses grupos não terão suas demandas em pauta.

Portanto, diante do que foi exposto, cabe ao Supremo Tribunal Eleitoral garantir cotas representativas nos partidos e fundos partidários significativos para esses candidatos. Cabe também ao Ministério da Educação evidenciar em seus materiais personalidades negras como Machado de Assis que frequentemente tem retratos com a pele clareada, assim como o presidente Nilo Peçanha. Com essas medidas talvez a não representatividade politica diminua nas terras tupiniquins.