A importância da prática de atividades físicas relacionada à qualidade de vida de idosos

Enviada em 29/09/2020

Educação, renda, saúde. Esses são os parâmetros que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) utiliza para determinar o IDH de um país, dentre os quais se destaca a expectativa de vida, que corresponde à 75,6 anos no Brasil, a cima da média mundial. Contudo, o critério utilizado é apenas quantitativo e não analisa a qualidade do envelhecimento. Sob tal ótica, a prática de atividades físicas exerce um papel essencial para o bem-estar dos idosos, visto que ajuda na prevenção de doenças, porém não é uma pauta priorizada pelo Estado.

Inicialmente, a realização de exercícios colabora para a saúde física do indivíduo. Diante disso, o principal benefício dessa prática é a sua capacidade de evitar patologias como diabetes do tipo 2, obesidade, bem como regular o nível de triglicerídios e colesterol, principais responsáveis pelos acidentes vasculares e infartos. Paralelamente, segundo estudos de 2017 da Organização Mundial da Saúde (OMS), a principal causa de mortes no Brasil é a doença isquêmica do coração, a qual ocorre quando há insuficiência na chegada de sangue nesse órgão. Nesse sentido, a população na terceira idade, que possui maior facilidade para a aquisição e agravamento de doenças, encontra nos exercícios um aliado para a manutenção da qualidade de vida e um melhor envelhecimento.

Outrossim, o poder público falha na promoção e democratização do acesso a hábitos corporais. Em consonância com Hobbes, a humanidade vivia um momento de constante guerra e insegurança, por isso, foi feito um contrato social, cujo principal objetivo era criar o Estado, o qual seria capaz de garantir  segurança e bem-estar a todos. Entretanto, os órgãos governamentais brasileiros, geralmente, falham nessa função, porquanto as pessoas idosas de baixa renda não encontram uma oferta generalizada de exercícios gratuitos e dificilmente possuem as condições necessárias para pagar uma hidroginástica, academia, ou algum esporte. Dessa forma, essas práticas tornaram-se privilégios dos poucos que conseguem pagar, enquanto os demais encontram-se abandonados pelas instituições públicas.

É mister, portanto, tomar medidas que atenuem o precário acesso das pessoas de maior faixa etária às atividades físicas. Logo, cabe ao Poder Executivo estadual levar o execício corporal gratuito à população mais velha, por meio da criação de um programa de contratação de profissionais de educação física e “personal trainers” que prestarão gratuitamente serviços de orientação e ensinos sobre esportes e movimentos. Ademais, haverá a compra dos materiais necessários (bolas, argolas, cordas e outros) e será utilizado o espaço de escolas do ensino básico fora do horário de aulas. Espera-se, assim, democratizar a prática física e melhorar a qualidade do envelhecimento no Brasil.