A importância da prática de atividades físicas relacionada à qualidade de vida de idosos

Enviada em 22/12/2020

Ulysses Guimarães, político brasileiro, ao discursar sobre a Constituição de 1988, chamou-a de “Cidadã” devido à ênfase dada aos direitos dos cidadãos brasileiros. Nesse sentido, prevê-se promover o bem de todos, sem preconceitos de idade, bem como reduzir o risco de doença enquanto direitos fundamentais para o bem-estar da população idosa. Entretanto, tal conjuntura fica restrita à Lei Maior, pois a falta de estímulo à prática de atividades físicas alicerça um acentuado problema social: a baixa qualidade de vida dos idosos. Em face disso, são necessárias estratégias que amparem os idosos, garantindo-lhes o direito à vida.

A princípio, convém ressaltar que a desvalorização dos idosos contribui com perda de autonomia dessa parcela da população. Nessa lógica, a filósofa Simone de Beauvoir, na obra “A Velhice”, defende que alguns grupos sociais são mais valorizados em virtude do papel social que desempenham, contribuindo com o fenômeno de Invisibilidade Social. Diante disso, os idosos são vistos como um grupo social vulnerável, improdutivo e incapaz de contribuir, sobretudo economicamente, com a sociedade e, em decorrência disso, pouco são estimulados a realizarem exercícios físicos. Logo, o pensamento de Beauvoir é confirmado nos dados do Ministério da Saúde que revelam que 30% dos idosos possuem dificuldade para realizar atividades cotidianas e dependem da ajuda de terceiros para executar ações simples.

Outrossim, verifica-se que a falta da prática de atividades físicas prejudica o sistema de saúde e o bem-estar individual. Nesse viés, na Grécia Antiga, Hipócrates - o pai da medicina - entendia que a anatomia humana exige constante movimento e, então, a inércia contraria a natureza humana. Sob tal ótica, a pouca realização de exercícios não só agrava doenças, como também onera o sistema de saúde com doenças que poderiam ser facilmente evitadas ou atenuadas por meio de hábitos saudáveis. Em suma, os brasileiros negligenciam os ensinamentos de Hipócrates e, por conseguinte, os gastos públicos com saúde são elevados e a vida de muitos idosos é abreviada.

Dessa maneira, é responsabilidade do Estado a criação de mecanismos que impulsionem a realização de atividades físicas. Convém, portanto, que o Ministério da Saúde, instância máxima da administração dos aspectos hígidos do país, incentive a realização de exercícios e a inclusão social dos idosos. Isso pode ser feito mediante campanhas publicitárias que ensinem práticas que podem ser realizadas em casa e a criação de centros esportivos que integrem os idosos a sociedade, para que os idosos tenham autonomia e doenças sejam atenuadas. Assim, o sistema de saúde não ficará sobrecarregado e a Constituição Cidadã será seguida na prática.