A importância da prática de atividades físicas relacionada à qualidade de vida de idosos

Enviada em 17/07/2021

No livro “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, é retratado a vida de Bentinho, um homem que, em virtude de sua idade, encontra-se largado e sem expectativas. Assim, apesar de ficcional, a obra é atual, uma vez que a perca da qualidade de vida é a realidade de milhões de idosos cuja falta de atividades físicas os privam de sua autonomia. Nesse sentido, é basilar uma análise acerca da importância de exercícios como fornecedor do bem-estar, assim como a negligencia estatal diante o assunto.

A priori, é necessário destacar a forma como a sociedade costuma lidar com as transformações físicas provenientes da velhice. De fato, é diante a chegada da terceira idade que muitos problemas como a perca óssea-muscular e cardiovascular surgem. No entanto, muitos se acostumam a lhe tratar como um fardo pré-determinado, mesmo que existam centenas de exercícios físicos adequados para trata-los e preveni-los, como a hidroginástica. Consequentemente, é quase inevitável que essa ideia leve ao sedentarismo, fato que além de agravar a vitalidade do idoso, os tornam dependentes de terceiros, episódios evitáveis com atividades diárias, a exemplo da alemã Johanna Quaas, que aos 95 anos de idade é a ginasta mais velha do mundo em atividade. Logo, são inúmeros os benefícios decorrente dessa prática que são omitidos da população.

Outrossim, a ausência de compromisso do Estado para com a saúde e bem estar dos mais velhos no Brasil é outro ponto que perdura o problema. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6º da “Constituição Cidadã”, que garante, entre tantos direitos, a saúde. Isso é perceptível seja pela pequena campanha de conscientização acerca da necessidade de atividades físicas ao envelhecimento, seja pelo pouco espaço destinado ao suporte a essa faixa etária nos hospitais. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir a qualidade de vida a todos.

Infere-se, portanto, que a velhice no Brasil não precisa ser um incômodo. Para tanto, o Ministério da Saúde deve, com o suporte das secretarias locais, inserir a discussão acerca das atividades físicas para a terceira idade, por meio de encontros que levem o profissional de saúde para perto da sociedade, a fim de incentivar e ensinar a prática de exercícios. Além disso, pode o Estado, através de fundos da união, restaurar a infraestrutura de atendimento básico ao idoso, para que esse esteja garantido do cumprimento de seus direitos. Quiçá, nessa via, a realidade poderá se distanciar da observada com Machado de Assis.